A vida como a arte do encontro é o subtítulo que guia a apresentação do romance Histórias de Amor no Novo Milênio, da escritora chinesa Can Xue. A obra acompanha Niu Cuilan, personagem que retorna à vila de infância e encontra um cenário que parece ter sido alterado pelas fissuras entre o real e o sonhado. A narrativa mergulha na busca por liberdade de agir, sentir e pensar diante de uma realidade opaca.
O romance se distingue pela ausência de psicologismos explícitos e pela prosa límpida, traduzida por Verena Veludo Papacidero. Can Xue descreve cenas de deambulações noturnas, deslocamentos pelo campo e experiências de desejo como caminhos para uma transformação íntima, mantida em diálogo com o outro.
A autora, nascida em 1953, viveu a infância marcada pela Revolução Cultural, episódio que influenciou sua produção literária. Seu trabalho funciona como entrelaçamento do imaginário milenar chinês com referências de Kafka e Borges, segundo a leitura crítica destacada na reportagem.
Publicado originalmente em 2013, Histórias de Amor no Novo Milênio é o primeiro e único romance de Can Xue lançado no Brasil até o momento. A edição brasileira foi traduzida e publicada pela editora Fósforo, com 400 páginas e preço de lista informado na matéria.
A entrevista à autora reforça o enquadramento do livro como uma espécie de performance literária, em que a leitura convida a dançar com a narrativa. A obra enfatiza a ideia de que a vida pode ser entendida como uma prática de encontros, mesmo diante de desencontros.
A matéria foi publicada na edição n° 1397 de CartaCapital, em 28 de janeiro de 2026, e aparece na edição impressa com o título A vida como a arte do encontro. A reportagem destaca a relevância de Can Xue como uma autora hoje cotada para o Nobel de Literatura.
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