Paris viveu nos anos 1920 uma efervescência literária que marcou gerações. O romance O Sol Também se Levanta, de Ernest Hemingway, ganhou epígrafes célebres após uma troca no pátio do 113 rue Notre-Dame-des-Champs, em Paris. A frase sobre uma geração perdida passou a simbolizar o momento de jovens que viviam as cicatrizes da Primeira Guerra Mundial.
A obra, publicada em 1926, retrata a vida de expatriados americanos que se estabeleceram na capital francesa. Entre Jake Barnes, narrador ferido de guerra, e Lady Brett Ashley, o romance acompanha encontros em cafés, praças de touros em Madri e a busca por sentido no pós-guerra.
Paris era barata para quem trazia dólares. Artistas como Miró, Picasso, Dali, Fitzgerald, Pound e Joyce puderam circular pela cidade e definir novas direções na arte. O ambiente era alimentado por movimentos como cubismo, dadaísmo e surrealismo, com a livraria Shakespeare and Company como centro de encontros.
Contexto da obra e da época
Hemingway vivia entre cafés e mercados, descrevendo a gastronomia parisiense com foco na experiência sensorial. O livro ajudou a consolidar um estilo de frases diretas, diálogos secos e descrições objetivas, considerado revolucionário na prosa inglesa da época.
A narrativa atravessa também Madri, onde a paixão pela tourada funciona como elemento temático. A prática é apresentada como ritual que aborda coragem, morte e busca por significado, em paralelo aos dilemas pessoais dos protagonistas.
O Restaurante Botín, em Madrid, aparece no desfecho do romance, onde os personagens jantam após as decepções amorosas. O local, com forno a lenha original, é descrito como cenário que contrasta com o colapso de relações humanas.
Hemingway era próximo de Gertrude Stein e de Alice B. Toklas, em Paris. A residência das duas na rue de Fleurus figurou como polo de vanguarda literária e inspirou cenas que aparecem na narrativa sobre a vida na cidade.
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