Em Alta Eleições 2026 PolíticaNotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasConflitoseconomiaFutebol

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Visita ao Pai: crônica familiar que mistura memória e história

Crônica descreve a vida do pai de Tezza, desde a infância até a morte após acidente de mil novecentos e cinquenta e nove, conectando memória familiar a um painel da história brasileira

Em ‘Visita ao Pai’, crônica familiar e painel histórico em um só livro
0:00
Carregando...
0:00

O professor e advogado João Batista Tezza morreu após colidir com uma Kombi enquanto pilotava uma lambreta no centro de Lages, na Serra Catarinense. O acidente ocorreu às 17h45 do dia 22 de julho de 1959, uma quarta-feira, conforme registro do Correio Lageano. O boletim informava que ele chegou a ser levado ao hospital, mas não resistiu e faleceu às 16h15 da quinta-feira.

Cristovão Tezza, filho do falecido, reapresenta o episódio em Visita ao Pai, livro publicado pela Companhia das Letras. O relato transporta o leitor para o período por meio de cartas e documentos do pai, preservados em cadernos que o próprio João Batista reuniu ao longo de 28 anos. Entre o material, há registros escolares, profissionais e de vida pública.

A obra de Tezza não se restringe à memória familiar. Ela se apresenta como um painel da vida nacional que atravessa a era de Getúlio Vargas até o início de Juscelino Kubitschek, cruzando urbanização e transformações sociais. A figura paterna emerge como símbolo de uma geração que transitou entre o serviço público e a busca por reconhecimento.

O personagem e o contexto

Filho de uma família de pequenos agricultores de Urussanga, João Batista deixou a colônia italiana para alistar-se no exército em Florianópolis, iniciou estudos, tornou-se carteiro em Lages e, mais tarde, professor da região. O livro aponta um percurso marcado por ambições, vínculos políticos locais e um cliente­lismo que moldou suas ações.

No decorrer dos cadernos, aparecem tensões entre o desejo de ascensão social, a educação formal e as relações pessoais. O pesquisador registra comportamentos ambiciosos, bem como momentos de rancor por dívidas herdadas. A narrativa também revela uma faceta de improvisação profissional, já que o exercício da advocacia foi modesto e eventual.

Forma de reconstrução e leitura

A obra dialoga com a memória em primeira pessoa, diferente dos trabalhos anteriores de Tezza, que recorreu a uma terceira voz em O Filho Eterno. Ao cruzar cartas, memórias e referências históricas, o autor constrói uma cronologia que espraia o Brasil desde o fim da era Vargas até os primeiros anos de JK, com foco nos anseios e fraturas de uma época.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais