Gizelly Bicalho, 34 anos, viu sem esperar a coincidência entre sua vida e O Agente Secreto, de Oscar 2026. Ao assistir o filme, a ex-BBB reconheceu semelência com a história de sua família e com o próprio luto pela morte do pai, assassinado em 1998.
O pai de Gizelly era produtor e comerciante de café e carros, assassinado em Iúna, no interior do Espírito Santo. A vítima recebeu 17 tiros em um crime ligado à pistolagem local, segundo a família. A cidade é mencionada pela própria Gizelly como marcada pela violência daquele período.
A atriz e advogada relatou que, no filme, o personagem Armando representa uma perseguição estatal típica da Ditadura Militar. Ela explicou que houve justificativas divergentes sobre o assassinato e que, na vida real, não houve punição completa pelo crime que vitimou o seu pai.
Conexões entre ficção e memória
Gizelly relembrou que o filme usa recorte jornalístico para revelar o destino do personagem, sem que a morte apareça na tela. Ela mencionou que, na vida real, o pai foi morto justamente em seu estabelecimento, em Iúna, e que o assassino confessou ter tentado atentar contra ele outras vezes.
A ex-BBB destacou que o recorte de jornal ainda está na família e que a descoberta do destino do pai ocorreu da mesma forma analítica do filme, por meio de notícias antigas. Essa característica reforça o paralelo entre ficção cinematográfica e memória familiar.
A advogada afirmou que a experiência pessoal influenciou a decisão de seguir Direito, em busca de justiça que não houve no caso do pai. Ela relatou episódios de assédio por parte de autoridades em buscas por responsabilização de criminosos, ocorridos próximo ao período do Big Brother Brasil.
Gizelly ressaltou a importância do cinema para a memória nacional, especialmente ao retratar desaparecimentos ainda sem solução. Ela aponta que a história de seu pai não envolvia estereótipos de vulnerabilidade, mas sim de uma figura empresarial com propriedades rurais e atuação no mercado de café.
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