Um fotógrafo francês, em Gaza, busca imágenes para a matéria que a redação solicita. Em vez de crianças ou soldados, registra a imagem de um idoso cercado por livros diante de uma livraria.
O homem aceita posar, mas quer ouvir sua história antes. Assim começa o enredo de O Livreiro de Gaza, de Rachid Benzine, publicado pela Intrínseca com tradução de Sofia Soter.
Benzine, nascido no Marrocos, é cientista político e estudioso do Islã. O livro mistura ficção e testemunho para falar da crise humanitária na faixa de Gaza, em pouco mais de cem páginas.
Foco humano
A narrativa sugere “dar rosto às vítimas” das catástrofes, colocando o libretro como fio condutor. Os mortos em Gaza são apresentados como pessoas, além das imagens de imprensa. A obra usa linguagem poética para descrever o território.
A conversa entre o fotógrafo e o livreiro é em francês, língua aprendida por leitura. A relação destaca a dificuldade de comunicação e o esforço para ouvir a história de alguém que vive a ocupação.
Personagem central
O homem é Nabil, nascido em Haifa e deslocado em 1948 com a criação de Israel. A família buscou abrigo em Jericó e, posteriormente, na faixa de Gaza. Nabil desenvolve uma relação especial com os livros.
Benzine aponta que a leitura funciona como forma de redimir a vida diante da violência. O livro compara textos de várias tradições, de Omar Khayyam a Mahmoud Darwish, passando por Homero, Pessoa e Fanon.
Temas e recepção
A obra aborda a função social da literatura, afirmando que as palavras podem esclarecer a alma, ainda que não resolvam opressões. O romance coloca a experiência palestina como universal, ao humanizar a narrativa.
Há críticas sobre o tom e a visão do território. O autor é marroquino e não palestino, e há dúvidas sobre sua experiência direta em Gaza. A obra levanta o debate sobre quem tem o direito de contar essas histórias.
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