Deborah Parker Wong, pesquisadora em ciência sensorial e educadora, rompeu com a ideia de que a Geração Z não se interessa por vinho. Em suas aulas, ela questiona o currículo tradicional e busca formas de engajar jovens com curiosidade e prazer pela bebida.
A professora atua nos EUA, lecionando em instituições como San Jose State University, Cabrillo College e Santa Rosa Junior College, além de conduzir um programa próprio do Wine & Spirit Education Trust. Em 2024, começou a ensinar na San Jose State.
Ela percebeu cedo que a introdução clássica ao vinho, centrada em vinhos secos, ácidos e tânicos, não funciona para muitos alunos da Geração Z. Uma sessão com dois vinhos secos foi suficiente para mostrar a necessidade de mudança.
Novo caminho de entrada
Wong reformulou o currículo para priorizar vinhos doces ou meio secos no início, mantendo fundamentos como fisiologia do olfato, método de degustação e harmonização. O objetivo é abrir caminho para aprendizados mais profundos sem desmotivar.
Ela explica que o prazer deve fazer parte do ensino, sem abandonar o rigor. Segundo a pesquisadora, a ideia é iniciar os jovens em uma jornada de descobertas, valorizando experiências positivas com a bebida.
Como a Geração Z encara o vinho
A abordagem busca vinhos finos, de uma só uva, de origem definida e com intenção clara. Nada de produtos artificiais. Além disso, a variabilidade de paladar entre os alunos é levada em conta, com foco na conexão entre vinho e comida.
A harmonização com alimentos é crucial, pois aproxima o vinho do cotidiano dos alunos. Quando um vinho agrada e combina com pratos que eles gostam, o interesse pela bebida tende a crescer.
Entre os rótulos usados, vinhos com açúcar residual ganham espaço junto a garrafas com história e estrutura. O Brachetto d’Acqui aparece como ponto de partida eficaz, seguido de vinhos alemães mais doces e com menor teor alcoólico.
Wong ressalta que a doçura não é intrínseca ao glamour do vinho: o equilíbrio entre doçura, acidez e estrutura é o que confere identidade ao produto. O desafio é desfazer preconceitos históricos sobre vinhos doces.
A prática em sala funciona como laboratório para o futuro da educação do vinho. A experiência sugere que a indústria pode ganhar ao valorizar educação voltada ao comportamento real dos consumidores.
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