Nikita Kadan apresenta em Kyiv a mostra A New Integrity, destacando a experiência de amputação ocorrida durante o conflito na Ucrânia. A exposição, que abre em 11 de abril no Pavilion 13, propõe uma instalação composta por próteses suspensas que se movem no ar, acompanhadas por uma paisagem sonora e depoimentos de veteranos entrevistados para o projeto.
O objetivo é apresentar, por meio da arte contemporânea, as marcas da guerra sem reduzir o indivíduo à trauma. Os depoimentos são narrados pela atriz Anastasiia Seheda, com entrevista conduzida pela socióloga Sofia Lavreniuk. Os nomes dos veteranos foram protegidos para preservar a identidade. A curadoria envolve a Superhumans Foundation, que trabalha na reabilitação de ex-combatentes.
A produção levou um ano para ficar pronta, tendo sido interrompida pelos ataques russos que atingiram a Ucrânia durante o inverno. O espaço, Pavilion 13, é uma construção brutalista de vidro inaugurada em 1967 e reabilitada para atividades culturais em Kyiv.
Contexto e concepção
Kadan, reconhecido por abordar a violência policial e a destructura social em projetos anteriores, utiliza as próteses para explorar a experiência humana de adaptação após a perda de membros. A obra também inclui reproduções em preto e branco de trabalhos de artistas ucranianos e de europeus, apresentados em vitrines.
A curadoria busca equilibrar memórias de trauma com aspectos da resiliência. Entre as obras influentes estão gerações anteriores de expressão artística europeia que abordaram consequências de guerras, como as de Otto Dix, que dialogam com a situação atual na Ucrânia.
O artista relaciona o tema ao conceito de “integridade” frente ao estado de guerra, destacando a ideia de manter a determinação mesmo diante de condições extremas. O título aponta para a escolha entre modos de governança e ordem global em um período de instabilidade.
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