Mel Lisboa comenta a nova produção brasileira, que mistura thriller político com memória histórica. O filme chega aos cinemas nesta quinta-feira, 9 de abril, sob direção de André Sturm e propõe uma leitura sobre lacunas na história do país durante a ditadura.
A atriz de 44 anos interpreta Silvana, uma jornalista que não aceita o alinhamento de fatos dos anos 1970 e investiga a relação entre mortes ocorridas em 1976, durante o regime militar, ligadas a uma rede internacional de repressão. A obra sugere uma tese de que esses acontecimentos estariam conectados, ampliando o debate sobre o período.
A narrativa aborda temas como controle social e obediência à autoridade, explorando dilemas éticos a partir de pesquisas de campo da protagonista. Silvana é apresentada como uma personagem de código moral firme, cuja busca pela verdade guia as ações mesmo diante de riscos.
O filme coloca em perspectiva o jornalismo investigativo pós-mentira, comparando censura histórica com a desinformação contemporânea. A produção destaca como algoritmos e bolhas de informação podem influenciar percepções públicas, mesmo com o avanço tecnológico.
No cenário de redação da década de 1970, a trajetória de Silvana é descrita como marcada pela desilusão inicial que se transforma em impulso para a expedição jornalística. O enredo também ressalta o perigo de queimadas de arquivo e assassinatos de testemunhas envolvendo a apuração de crimes do regime.
A relação entre Silvana e a jornalista Marcela, interpretada por Maria Manoella, é apresentada como um elo estratégico que soma experiências distintas na busca pela verdade. O filme também enfatiza o papel de objetos de época, como máquinas de escrever, para ambientar o ritmo de então e a dificuldade de obter informações sem internet.
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