Allan Weber inaugura no Instituto Tomie Ohtake em São Paulo uma mostra que aproxima mundos historicamente separados. A exposição, com o mesmo nome do fotolivro de estreia, apresenta obras tridimensionais inspiradas em registros feitos durante a pandemia, quando o artista atuou como entregador de lanches.
A mostra fica na avenida Brigadeiro Faria Lima, importante polo financeiro da cidade, criando um contraste com a realidade expressa nas peças. Weber busca ampliar a visibilidade de objetos do cotidiano que costumam passar despercebidos, segundo o próprio artista.
Obras e temas
Em Trap, estruturas lembram capas de álbuns do gênero, formadas por lonas, câmeras de bicicleta e caixas d’água, combinando trabalho e lazer. Já em Nós que Sustenta na Raça, uma torre branquíssima representa a classe operária que sustenta a sociedade e critica a engenharia social tradicional.
A série Traficando Arte retrata a vida na favela Cinco Bocas, no Rio, com cenas de futebol e bailes. Em Tamo Junto Não É Gorjeta, a montagem serializa imagens de lanches em bolsas térmicas, numa leitura warholiana do cotidiano de entrega.
O conjunto inclui ainda duas séries fotográficas que exploram a relação entre a vida na comunidade e a circulação de objetos nas galerias. Instalações com bancos de moto e capacetes, conectados por elásticos, denunciam a precariedade do trabalho de entrega e a resistência criativa diante das condições reais.
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