Entre os anos 1980 e 1990, OP, Bad Boy e Fico definiram o guarda‑roupa dos jovens brasileiros. Bermudas, camisetas estampadas e a cultura de praia fizeram parte do cotidiano de uma geração. Hoje, cada marca segue um caminho próprio, mantendo presença no mercado.
OP, Bad Boy e Fico cruzaram trajetórias distintas após o fim dos anos 90. Enquanto o marketing de moda chegou a mudar o estilo de consumo, cada marca procurou uma identidade que resistisse às mudanças do setor. O que não mudou foi o impacto histórico dessas marcas no surfwear nacional.
OP chegou ao Brasil nos anos 80 e virou símbolo de status entre a classe média. Patrocinou surfistas, organizou campeonatos e consolidou o “surfwear” na cultura jovem, com peças que encantavam pela inovação. A marca também impulsionou o circuito local com o OP Pro na Joaquina, em 1985.
OP: da grife de praia ao licensing global
No mercado americano, OP atingiu pico de faturamento em 1987, com 370 milhões de dólares. A distribuição em grande escala contrastou com rivais como Quiksilver e Billabong, mais dependentes de surf shops. A partir dos anos 90, o modelo mudou e a marca foi vendida várias vezes.
A OP passou por Doyle & Boissiere (1998), Warnaco (2003) e Iconix (2006), que licenciou a marca e fechou acordos com o Walmart. No Brasil, a OP saiu do radar nos 1990s; em 2017 houve um relançamento, sem retorno de massa, e hoje a marca tem presença restrita a e‑commerce e multimarcas.
Bad Boy nasceu em San Diego, 1982, voltada ao surf, skat e motocross. Na virada dos anos 90, ganhou identidade nas artes marciais, patrocinando nomes como Rickson Gracie, Belfort e Shamrock. A marca consolidou atuação no jiu‑jítsu e no MMA.
Bad Boy: da cena de esportes de ação a nicho de lutas
No Brasil, a operação de vestuário cresceu até 2001, quando houve concordata. Em 2002, a licença foi repassada e a marca passou a operar por terceiros, com foco em equipamentos de luta e roupas táticas. Hoje, mantém loja online e conta com mais de 100 mil seguidores.
Fico foi a mais estável das três. Criada em 1983 por Raphael Levy, surfista de Guarujá, a marca nasceu de forma itinerante, vendendo peça a peça pelo litoral. Tornou‑se uma das primeiras surfwear 100% brasileiras, patrocinando atletas e organizando eventos que ajudaram a formar o Circuito Brasileiro de Surf Profissional.
Fico: sustentabilidade local e expansão por grupo industrial
Em 2019, a Fico foi adquirida pelo Grupo Lunelli, dono de Lunender e outras marcas. A Fico passou a ser marca de catálogo, distribuída para milhares de lojas, com presença digital moderada e slogan Shape Your Future. O e‑commerce ficou temporariamente fora do ar, mas a marca permanece ativa no portfólio.
Mudanças no comportamento do consumidor marcaram o setor. O surfwear ganhou competição externa com marcas importadas, e o streetwear ganhou espaço. A camiseta com logo grande perdeu apelo, abrindo espaço para peças mais discretas. Das três, nenhuma sumiu; cada uma se adaptou. OP virou licensing global, Bad Boy nicho de lutas e Fico integração com indústria têxtil.
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