A Casa Domschke, em São Paulo, recebe uma mostra de Marco Castillo que investiga a utopia e a falência de um sonho. O cubano utiliza móveis da época de Fidel Castro para discutir memória, política e percepção social, sem abandonar a estética de suas obras.
A curadoria, liderada pela Nara Roesler, organiza a apresentação com entrada de diferentes andares. O público circula entre ambientes que revelam vínculos entre arte, história e tensões políticas, com foco na crítica a sistemas autoritários.
Exposição em São Paulo
O conjunto traz móveis históricos ligados ao fim da ditadura de Batista e ao auge de projetos que prometiam transformação social. A montagem sugere uma carreira que mergulha no período da Guerra Fria, evidenciando contradições entre ideais e realidade.
A obra de Castillo se apoia em referências de Gonzalo Córdoba e na arquitetura de Vilanova Artigas, cuja visão de transformação social alimenta a narrativa da mostra. Rampas e visibilidade total dos ambientes caracterizam o espaço expositivo.
Elementos com tiras de madeira em forma de rifles, esculturas feitas com madeiras nacionais e redes de palha compõem a assinatura visual. As peças dialogam com textos cifrados escondidos em livros, formando mensagens como ditadura e paradoxo.
Outras pinturas e esculturas ampliam o recorte histórico, mostrando tons vibrantes e traços que lembram a pop art da época. A curadoria assinala que a obra busca resgatar a memória de uma geração subjugada pela ditadura.
Segundo o pesquisador Theo Monteiro, o conjunto funciona como registro de tensões entre liberdade e regime não democrático, com leitura codificada das peças. A mostra enfatiza o peso de eventos históricos na imagética de Castillo.
Ao longo do projeto, a exposição evidencia a leitura de mensagens sociais contidas nos objetos e na disposição das obras. A curadoria destaca que as escolhas cromáticas remetem a uma busca por utopia que não se concretizou.
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