Napoleon Jones-Henderson, membro fundador da AfriCOBRA, é lembrado por ter imprimido na arte uma energia exuberante associada à empoderamento coletivo. Nascido em Chicago, em 1943, construiu uma trajetória marcada pela ligação entre arte, comunidade e luta por justiça racial.
Criado no bairro Bronzeville, no Sul de Chicago, ele teve o primeiro contato profundo com o tear na George Washington Carver High School. Um professor de arte o apresentou à prática de tecidos, abrindo portas para o que chamou de “atividade de vida” do quilt e da reparação das mulheres da família.
Jones-Henderson estudou na Sorbonne, em Paris, e depois no School of the Art Institute of Chicago, onde conheceu a artista Else Regensteiner. Com ela, aproximou-se da tradição têxtil ligada ao movimento Bauhaus, que influenciou seu desenvolvimento artístico.
AfriCOBRA e linguagem visual
Em 1969, ainda estudante, tornou-se um dos fundadores da Afro-Comune of Bad Relevant Artists, conhecida como AfriCOBRA. Chamado de “o tecelão” do grupo, adaptou a paleta de Regensteiner e o uso de materiais não tradicionais, como fios metálicos, para criar sua assinatura têxtil.
A estética da AfriCOBRA orientou suas obras pela ideia de imagens que celebram a experiência de pessoas da diáspora africana, com cores vivas, composições gráficas e uma acessibilidade visual marcante.
Mudança para Boston e prática de estúdio
Em 1974, teve a oportunidade de ensinar têxtil na MassArt, em Boston, após conhecer Calvin Burnett e alunos da instituição. Aceitou o convite e mudou-se para Roxbury, no casarão que já abrigou o abolicionista Edward Everett Hale.
Por mais de cinco décadas, manteve um estúdio ativo em Roxbury, produzindo trabalhos em fibra, mosaico, gravuras e esculturas devocionais. A prática integrou vida pessoal e produção artística de forma contínua.
Temas e legado comunitário
O trabalho de Jones-Henderson tratou de empoderamento, pan-africanismo e justiça racial. Suas peças variavam entre construção cromática exuberante e composições reflexivas sobre passado e futuro.
Foi figura central na vida cultural de Boston, integrando o Boston Collective e apoiando a programação de residências de mestres afro-americanos na Northeastern University e no Museum of the National Center of Afro-American Artists. Também organizou a 24ª exposição anual da National Conference of Artists, em Boston, em 1982, reunindo obras de Lethia Robertson, Joyce J. Scott e Theresa-India Young.
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