Walter Smith III lança Twio Vol 2, estudo objetivo sobre canções tradicionais em formato trio, com acompanhamento de baixo e bateria. O saxofonista de Houston, aos 45 anos, revela performance incisiva e narrativa forte, conectando tradição e linguagem contemporânea.
O álbum utiliza padrões de standard song shapes, repletos de foco e fraseado áspero. Smith evita exageros, remontando a nomes como Sonny Rollins e Wayne Shorter, sem perder a própria assinatura sonora. A parceria com Branford Marsalis é destaque em um dueto dedicado a Konitz.
Entre as faixas, On My Ideal, de Chet Baker, recebe leitura serena com linhas de Rollins em ritmo duplo. Light Blue, de Thelonious Monk, aparece como meditação privada, enquanto Casual-Lee, dedicado a Konitz, brilha com dueto com Marsalis. I Should Care e Isfahan dão encerramento emocional, com Ron Carter em atuação criativa no baixo.
A leitura do conjunto fica clara pela escolha de repertório e pela economia de recursos: o trio, sem piano, enfatiza timbres, respirações e pausas para a expressão sonora. A crítica aponta que o resultado representa bem a fusão entre jazz clássico e linguagem atual.
Lançamentos de destaque neste mês
Bill Frisell apresenta In My Dreams pelo Blue Note, reunindo Jenny Scheinman, Eyvind Kang, Hank Roberts, Thomas Morgan e Rudy Royston. O álbum traz faixas como a faixa-tom de abertura e Home on the Range, com tom afetivo e arranjos pessoais.
Joachim Kühn lança Joachim Kühn & Young Lions, em ACT, com participação de Jakob Bänsch. O projeto equilibra funk, timbre de Miles Davis no final, e uma fluência de ensemble livre, com Kühn em estado de plena expressão criativa.
Caroline Davis, com Fallows pela Ropeadope, mistura saxos líricos a elementos free-atonais, collagens de synth e gravações de campo, além de tributos a Steve Lacy e Geri Allen. O trabalho é apresentado como uma exploração imagética da linguagem do jazz atual.
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