O filme Papagaios, de Douglas Soares, chega aos cinemas brasileiros após conquistar espaço nos festivais. A obra mergulha no universo dos “papagaios de pirata” da televisão para discutir fama e ambiguidade. O elenco é liderado por Gero Camilo e Ruan Aguiar, com a produção acompanhada de perto pelo público.
No 53º Festival de Cinema de Gramado, Papagaios foi premiado em quatro categorias, incluindo o Kikito de Melhor Ator para Gero Camilo. Ainda levou o Troféu Júri Popular de Melhor Longa-Metragem, sinalizando recepção crítica e ligação com o público. Antes disso, Camilo já havia sido reconhecido no Bravo Film Festival, em Los Angeles, além de premiações no Festival Iberoamericano de Cinema de Sergipe.
Da memória à ficção
A ideia partiu de lembranças da infância de Soares na Maré e no Méier, onde reconhecia figuras recorrentes nos telejornais. Na visão do diretor, há uma versão periférica de celebridade que contrasta com a diversidade urbana, uma presença que influencia a narrativa. A comparação com o thriller Abutre, de Dan Gilroy, serve para situar o clima de suspense.
Construção de Tunico e Beto
Camilo interpreta Tunico, o papagaio de pirata mais famoso do Rio, cuja aura domina o quadro sem ser o centro da câmera. Ruan Aguiar vive Beto, um jovem que passa a segui-lo e a aprender o ofício. A dupla impulsiona o suspense e a curiosidade do público ao longo da trama, que se passa no início dos anos 2000.
Processo criativo e direção
A concepção do filme foi moldada ao longo de mais de uma década, com laboratórios de roteiro e consultorias. A preparação de cenas contou com ensaios conduzidos pela preparadora Tati Muniz, buscando aprofundar a personalidade dos personagens. Uma cena marcada envolve dança diante de um espelho ao som de Nelson Gonçalves, refletindo relações entre os protagonistas.
Temas e leitura crítica
Papagaios aborda a busca por validação pública em uma era de figuras que colocam a própria imagem em primeiro plano. A narrativa não entrega diagnóstico nem julgamento explícito sobre os personagens, privilegiando ambiguidades e zonas obscuras. Camilo vê o cinema como meio de revelar linguagens e manter a democracia de conteúdos.
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