Recentemente, um papo no podcast Mano a Mano reuniu Grada Kilomba, psicóloga, artista e pensadora portuguesa, e Mano Brown. A entrevista mergulha em temas de raça, colonialismo e identidade, com foco fora das bolhas brasileiras.
Kilomba discute a complexidade de falar sobre raça hoje. Ela afirma que não precisa se posicionar como artista da diáspora e rejeita rótulos. Em vez disso, defende liberdade de escolha na forma de expressão artística.
A artista, radicada em Berlim, utiliza psicologia, literatura e artes visuais para investigar como o racismo molda subjetividade e memória. Entre seus trabalhos, destaca-se Plantation Memories e projetos performáticos.
Ela aponta mudança na linguagem ao longo das décadas: dos movimentos de reivindicação aos debates atuais, com novos formatos de identificação e menos dependência de categorias rígidas. Questiona a representatividade em entrevistas e manchetes.
Kilomba também critica o uso de adjetivos como referência humana. Em sua visão, a forma de apresentá-la deveria focalizar a obra e a prática, não a etnia ou o rótulo de artista negra.
O tema se ancora no debate sobre decolonialismo e a diferença entre realidades do Brasil, Portugal e Estados Unidos. A entrevista enfatiza que cada país tem história e relações distintas com racismo e mobilidade social.
A obra O Barco, instalada no Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), funciona como interseção entre escultura, performance e poesia. A instalação utiliza blocos de madeira para remeter a um navio negreiro, de forma abstrata.
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