Djin Sganzerla, diretora de Mulher Oceano, amplia seu leque com Eclipse, filme que transita do marginal ao policial. A obra acompanha a relação entre duas irmãs distintas e o homem ao redor, em uma atmosfera de suspense e perguntas éticas. A mudança de tema foca na sordidez masculina.
Cleo, astrônoma loira, e Nalu, jovem com origem indígena ligada à natureza, são irmãs que se aproximam ao longo da trama. Cleo vive uma vida estável com o marido, enquanto Nalu revela traumas do passado envolvendo o próprio pai. A narrativa evolui conforme revelações surgem.
A descoberta central ocorre via mensagem de texto: Cleo pode estar envolvida em uma rede de violência contra jovens. A partir daí, o filme deixa o tom de drama familiar para assumir traços de thriller, com dúvidas sobre a fidelidade e o perigo próximo.
A produção pede ao espectador acompanhar dois questionamentos: o marido é de fato ameaça ou alguém manipulando a percepção de Cleo? A tensão cresce conforme o enredo mergulha em segredos familiares e redes clandestinas.
Abordagem e referências
O filme demonstra domínio do gênero policial, com foco em atmosfera contida e ritmo tenso. A relação entre as irmãs é o motor dramático, ainda que a trama caminhe para longe do cotidiano para explorar mistérios. O tom é técnico, sem relativizações morais.
Direção e pegada estética
Djin mantém assinatura de suavidade que marcou trabalhos anteriores, mas amplia o alcance temático ao inserir elementos de suspense. A narrativa dialoga com referências do cinema clássico de suspense, mantendo a linha de composição visual silenciosa e expressive.
Elenco e núcleo temático
Além de Djin Sganzerla no papel de Cleo, Lian Gaia atua como Nalu, conectando ambas as figuras por meio de diálogos e conflitos que revelam diferentes perspectivas sobre poder, violência e memória. A relação com a natureza aparece como contraponto ao ambiente urbano.
Entre na conversa da comunidade