Juna, nome artístico de Juliana Nascimento, transforma rabiscos infantis em obras que preservam a memória da infância. O processo parte de desenhos criados pela filha Lara, hoje com 8 anos, e vira linguagem própria baseada na afetividade.
A iniciativa nasceu em casa, quando Lara tinha entre três e quatro anos. Ao decidir o que fazer com os desenhos escolares, Juna reuniu as peças numa colagem para decorar o quarto e acabou abrindo caminho para uma nova atuação artística.
Com uma técnica mista de recorte, colagem, pintura e repintura, as obras mantêm a essência do traço infantil ao combinar camadas de cor e composição. Cada peça nasce da curadoria do acervo da criança, conectando memória, afeto e identidade.
Origem, técnica e significado
A artista afirma que a arte preserva histórias familiares e revela a potência criativa da infância. O processo valoriza o traço original, sem correções, mantendo a criança como protagonista e o adulto como mediator.
O trabalho de Juna envolve sete etapas, desde a análise do desenvolvimento do desenho até a intervenção pictórica. Ao final, é escrita uma carta à mão para a criança, a ser lida apenas aos 21 anos, fortalecendo o vínculo emocional com a obra.
Para a criadora, o desenho infantil é a voz da criança antes da fala. As obras, segundo ela, se tornam relíquias desse tempo, com carga afetiva que ultrapassa o papel e ocupa espaço central na casa.
Além da estética, a produção convida a refletir sobre o papel da mãe e da família na formação emocional. O reconhecimento da produção infantil pela família contribui para a autoestima e para a criatividade que a criança leva para a vida adulta.
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