Carla Simón, renomada diretora espanhola, retorna ao cinema com Romería, seu terceiro longa e uma abordagem que mergulha nas relações familiares. O filme acompanha Marina, uma jovem que viaja a Vigo, na Galícia, em busca de documentos do pai biológico, ao mesmo tempo em que enfrenta segredos familiares e tensões antigas.
A narrativa se inspira em viagens que a própria cineasta realizou para conhecer parentes em Madrid, Barcelona e Galicia. O objetivo, segundo she, não foi criar ressentimento, mas explorar a complexidade de laços de sangue e convivência, especialmente entre pais biológicos e adotivos.
Romería se destaca pela integração de elementos realistas com toques de magia, marcando uma mudança estilística em relação aos trabalhos anteriores da diretora. A produção continua a explorar temas de família, memória e legado, conectando passado e presente através de cartas reais escritas pela mãe de Simón.
Contexto biográfico da diretora
Simón nasceu em Barcelona, em 1986. A morte dos pais por AIDS quando era criança moldou sua visão de família e de relatos íntimos que aparecem em seus filmes. Suas obras anteriores são fortemente autobiográficas, como Summer 1993 e Alcarràs, este último ambientado no espaço de uma comunidade de pêssego da Catalunha.
Entre as estratégias de direção, a cineasta evita que os atores leiam o script várias vezes, promovendo improvisação na frente das câmeras. Ela também costuma levar o elenco a encontros e passeios para naturalizar as interações familiares na tela, buscando capturar acontecimentos espontâneos. Em Romería, esse método dialoga com memórias da Transição espanhola e com as consequências sociais da época.
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