Boards of Canada, o duo eletrônico escocês formado pelos irmãos Mike Sandison e Marcus Eoin, lançou Inferno, primeiro álbum em 13 anos de carreira. A obra, lançada pela Warp, já coloca a banda em vias de polarizar opiniões pela abordagem lírica sobre religião e pela qualidade de produção.
Desde o início, o álbum mergulha em timbres analógicos e texturas que remetem a décadas passadas, mantendo a assinatura de ambient e hip-hop estudado pela dupla. A promessa de uma viagem sonora continua presente, mesmo diante de um retorno que parece buscar novos caminhos.
No conteúdo, Inferno explora temas de fé, dúvida e entrega espiritual, com faixas que variam entre experimentação rítmica e experimentos de voz. Entretanto, a crítica aponta que parte da música perde inovação, repetindo padrões que já foram fortalecidos no passado do duo.
Entre as faixas, destacam-se momentos com maior densidade atmosférica e uso mais ousado de samples, como em composições que combinam elementos de pastorais e passagens de áudio educativo. Em outros trechos, o álbum avança com batidas mais lentas e menos pulsação, o que divide a impressão do ouvinte.
De modo geral, Inferno é visto como uma declaração ambiciosa de BOC, que mantém a capacidade de criar atmosferas marcantes. Ainda assim, a crítica observa que a maior parte da duração pode soar menos envolvente frente a produções de pares contemporâneos mais ágeis.
Para fãs ardorosos, o trabalho representa uma continuação da identidade de Bordas do Canadá, com momentos de brilho que recuperam a nostalgia da dupla. Já para o público em geral, o retorno é visto como alternando entre acertos sonoros e trechos menos inspirados.
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