O documentário Landmarks de Lucrecia Martel revisita um julgamento por assassinato, focalizando o caso de Javier Chocobar, integrante indígena da etnia Chuchagasta. O filme apresenta a tensão entre povos originários e herdeiros do colonato, bem como a influência de instituições como a igreja e o direito sobre as pessoas.
A obra acompanha o processo que envolve o assassinato de Chocobar, morto aos 68 anos durante um conflito com três homens que afirmavam ter direitos sobre terras a serem exploradas. Dois deles eram ex-polícia; o terceiro alegou direitos de mineração. O ataque ocorre a portas fechadas, mas parte do crime é filmada pelos agressores.
Martel utiliza uma montagem contemplativa, com cenas de drone que mostram a geografia local e momentos de entrevista. O filme enfatiza as vozes da esposa, da família e da comunidade Chuchagasta, que contestam a narrativa oficial que teria apagado a presença ancestral do povo.
Enredo e abordagem
O documentário mistura imagens de arquivo com a paisagem e o cotidiano da comunidade, buscando uma leitura do território como força atuante na vida das pessoas. A narrativa evita retórica excessiva, optando por uma apresentação sob medida para o espectador.
Contexto e interlocutores
Martel expõe resistência histórica a reconhecimentos legais e a legitimação de terras, citando tentativas de negação da continuidade da comunidade. A produção revela como autoridades locais e proprietários de terras contribuíram para deslegitimar a existência indígena.
Landmarks, dirigido pela premiada cineasta argentina, está em exibição no Bertha DocHouse, em Londres.
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