O projeto NegroMuro, que transforma muros de Rio de Janeiro em memória negra, foi reconhecido pela cidade como patrimônio cultural imaterial. A iniciativa reúne 80 murais em diferentes bairros e retrata cerca de 120 pessoas ligadas à cidade.
Criado em 2018 por Pedro Rajão e Fernando Sawaya, o projeto nasceu da falta de monumentos negros na cidade. Rajão, pesquisador, e Sawaya, artista, idealizaram uma cartografia da memória negra por meio de pinturas públicas.
Os murais aparecem em escolas, museus, estações de trem e imóveis particulares. Entre os temas estão figuras nascidas no Rio, como Machado de Assis, e personalidades com forte vínculo com a cidade, como Lélia Gonzalez.
A maior parte das obras fica na zona norte, em áreas com menor investimento público, em contraste com o padrão turístico do sul. A escolha visou ampliar visibilidade a comunidades historicamente sub-representadas.
Entre as obras de destaque está uma homenagem a Conceição Evaristo, em Largo de São Francisco da Prainha. A obra está a poucos passos do Valongo, antigo porto de escravos, marco histórico da cidade.
O mural dedicado a Marielle Franco, vereadora assassinada em 2018, foi criado logo após o ocorrido. A peça retrata a líder social em posição de reverência e firmeza, conforme o dueto criativo descreve.
Segundo os realizadores, o objetivo é mostrar beleza e resistir aos fantasmas do passado. O projeto não busca apenas retratar lutas, mas criar uma leitura mais positiva da herança afrodescendente do Rio.
Além de pinturas, NegroMuro promove oficinas, visitas guiadas e já lançou um livro de colorir. A dupla também recebe apoio público quando disponível e busca patrocínios privados ou coletivos para ampliar as ações.
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