Três anos após as greves que paralisaram Hollywood, estúdios voltam a negociar com os atores. A conversa, que envolve o uso de IA, ganhou tom mais construtivo e foco em proteção trabalhista. A greve de 2023 permanece como marco.
Duncan Crabtree-Ireland, diretor executivo nacional do SAG-AFTRA, afirma que estúdios e plataformas vieram à mesa com uma perspectiva diferente. A negociação pode entrar em vigor em julho, caso aprovada pelos membros do sindicato, que reúne mais de 160 mil profissionais.
O tema central é o avanço da inteligência artificial e como ela impacta a criação de conteúdo. O sindicato destaca a necessidade de proteção para trabalhos humanos e regras claras sobre o uso de IA em produções. A conversa busca equilibrar inovação e empregos.
Adoção da IA e regras para personagens sintéticos
Segundo Crabtree-Ireland, houve avanços na compreensão de que a regulação da IA é prioridade. Os estúdios concordaram em valorizar a criatividade humana, condicionando o uso de IA aos casos em que haja ganho significativo para a produção.
Os sintéticos, como personagens criados com IA sem base em pessoas reais, podem ser usados apenas em situações extremas e com ganho substancial de valor. O uso de réplicas digitais exige consentimento e compensação justa.
Replicação de intérpretes vivos ou falecidos e dublagem
A negociação também aborda a reprodução de vozes de intérpretes em outros idiomas. A regra visa evitar que a voz de um ator seja replicada sem autorização, protegendo o trabalho de dubladores e mantendo controle sobre direitos.
Entre os exemplos citados, houve menção a personagens gerados por IA que provocaram debates no setor, como casos envolvendo intérpretes fictícios ou históricos. A proposta busca transparência e consentimento informado.
O acordo em discussão não proíbe a IA, mas impõe salvaguardas para evitar abusos. Em caso de disputa, o mecanismo de arbitragem funciona como desincentivo a usos inadequados. O objetivo é manter a qualidade criativa humana.
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