Edson Luís de Lima Souto, de 18 anos, foi morto pela Polícia Militar durante um protesto num restaurante no Rio de Janeiro, em março de 1968. A morte ajudou a consolidar a Passeata dos Cem Mil, ainda que a vida do jovem tenha ficado pouco registrada. O episódio ocorre no contexto da ditadura militar.
A peça Edson, criada e encenada por Matheus Macena, reconstitui o caso a partir de uma visão que ressalta o racismo institucional da época. O espetáculo está em cartaz no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, e fica em cartaz até o final da semana.
Macena afirma que a história de Edson abre espaço para discutir realidades menos retratadas na memória histórica do regime. O foco passa a ser a trajetória do jovem, não apenas o seu assassinato.
O espetáculo mescla ficção com documentos da Biblioteca Nacional, deixando lacunas do período para trás e preenchendo-as com dramatização. A montagem também incorpora canções nacionais e guitarras distorcidas para costurar a dramaturgia.
No palco, a produção destaca a dimensão humana de Edson e o papel da mobilização estudantil. O uso de humor surge como ferramenta para aproximar o público de uma narrativa pesada, sem oferecer fuga da gravidade dos fatos.
A encenação encerra com uma imagem simbólica: Edson Luís estende uma manta metálica que se transforma num balão inflado, sugerindo a eliminação do corpo e o retorno da sua história ao presente.
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