O espetáculo Os Sapatos que Deixei pelo Caminho estreia no Teatro Sérgio Cardoso, com direção de Marcos Felipe e texto de Cícero Lopes. A peça acompanha Poim, migrante nordestino que chega a São Paulo e enfrenta exclusão, preconceito e a luta pela permanência na metrópole. A montagem utiliza linguagem híbrida para explorar esse percurso.
A produção, do Teatro do Kaos em parceria com a Cia. Mungunzá de Teatro, prioriza a presença do ator e da palavra, ainda que integre cinema, dança, artes visuais e teatro de bonecos. Os recursos variam conforme o momento, buscando expressar diferentes dimensões da história.
Segundo Marcos Felipe, a combinação de linguagens surgiu naturalmente no processo criativo. Quando determinado trecho exigia movimento, a dança entrava; se a cena pedia outra forma, o recurso correspondente era utilizado. O objetivo é manter a dramaturgia centrada na sensibilidade.
A obra mescla realidade crua e ficção, adotando autoficção para tratar de xenofobia, capacitismo, sexualidade e exclusão social. A ideia parte de um documentário cênico baseado em situações reais, expandindo-se para permitir leituras mais amplas.
A abordagem busca dialogar com o público sem panfletagem. A direção reforça que o afeto, a delicadeza e a cumplicidade entre elenco e equipe ajudam a comunicar temas difíceis de forma humana. Cubatão, onde o grupo atua, e o centro de São Paulo influenciam o design da narrativa.
Os Sapatos que Deixei pelo Caminho permanece em cartaz entre 5 e 28 de junho de 2026, sextas, sábados e domingos, às 19h, na Sala Paschoal Carlos Magno do Teatro Sérgio Cardoso. A classificação indicativa é de 16 anos e a peça tem duração de 60 minutos. Ingressos a partir de 50 reais.
Entre na conversa da comunidade