As mulheres negras fora da curva resistem às mortes física e intelectual e constroem o Brasil desde o século XVI, quando foram trazidas da África. A trajetória é lembrada em relatos que ligam passado e presente na luta por reconhecimento, educação e direitos.
Pesquisadores destacam o conceito de epistemicídio, que busca apagar o conhecimento de pessoas negras. A expressão é citada para explicar ataques à potência intelectual das mulheres negras e aos seus saberes.
A história regional é marcada por figuras como Antonieta de Barros, primeira deputada negra de Santa Catarina, eleita em 1934, e por Rita Maria, mulher negra popular de Florianópolis, reconhecida por acolher pessoas carentes.
Legado histórico
Antonieta foi servidora pública e defensora da educação inclusiva, tendo papel central na instituição do Dia do Professor em Santa Catarina. Em Florianópolis, a homenagem à figura de Rita Maria está ligada à história da cidade, ainda que o reconhecimento institucional nem sempre seja amplo.
No Rio Grande do Sul, Luiza Helena de Bairros destacou-se como intelectual e gestora pública, tendo participação decisiva na formulação de ações afirmativas para o acesso a universidades e concursos. Ela foi secretária de Promoção da Igualdade Racial e assinou leis nacionais relevantes.
Desdobramentos recentes
A Universidade Federal do Recôncavo Baiano promoveu a exposição Lentes e Voz — Memória Viva da Luta Feminista e Negra no Brasil, com curadoria da professora Martha Rosa Figueira Queiroz, registrando a trajetória de Luiza Helena de Bairros. A mostra reforça o papel de ativistas na memória pública.
Recentemente, as mulheres negras marcaram presença em duas Marchas Potentes, em 2015 e 2025, que reuniram milhares de pessoas em defesa de reparação, bem-viver e maior representatividade política. Em 2025, a mobilização envolveu cerca de 300 mil participantes.
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