Georg Baselitz encerra a sua carreira com uma mostra em White Cube Bermondsey, Londres. O conjunto final de obras, produzidas enquanto o artista caminhava com dificuldade, aborda a morte e a finitude com brutalidade e beleza.
A exposição chega após a morte de Baselitz, aos 88 anos, em abril. As pinturas e desenhos refletem uma recusa à passagem do tempo e a uma conclusão agressiva, marcada pela força expressiva que define a sua estética.
O que aconteceu e onde ocorreu
A mostra apresenta figuras que flutuam no céu azul em uma peça, enquanto em outra o corpo cai e se espatifa na lama manchada de sangue. As obras reiteram o tema da mortalidade e a percepção de que a vida é breve.
Quem está envolvido
A iconografia de Baselitz frequentemente reúne o artista e a mulher Elke, sua musa. As peças exibem corpos desfeitos, com pele franzida e membros rígidos, recorrendo ao recurso visual de estar de cabeça para baixo para desorientar o observador.
Quando e por quê
As obras foram criadas nos últimos anos de vida do pintor, com a produção realizada a partir de uma cadeira de rodas, o cavalete e o chão como suporte. O objetivo parece ter sido um encerramento contundente da trajetória.
A linguagem das imagens
Em parte da galeria, as figuras aparecem como grandes formas douradas que parecem quase ícones religiosos. São retratos dos corpos de Baselitz e de Elke, com uma linguagem que sugere canonização após a morte iminente.
Símbolos e referências
Ao longo da carreira, as águias reaparecem como símbolos da juventude do artista em uma Alemanha devastada. As obras vinham sendo descritas como uma síntese de vida, arte e memória, com a presença constante de referências à história da arte.
A recepção crítica oscila entre o impacto emocional e a relação com o formato inusual de apresentação. A exposição é descrita como uma conclusão poética, que reforça a marca estética de Baselitz e o peso de sua obra ao longo de décadas.
Observação final
A mostra em Londres é apresentada como um fechamento da carreira, sem que o tom seja de heroísmo ou de romance, mas de enfrentamento direto com a finitude. Baselitz permanece uma figura central na história da pintura contemporânea, com impacto reconhecido internacionalmente.
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