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Saidiya Hartman une artistas renomados para imaginar o fim da supremacia branca

Hartman comanda performance colaborativa que imagina o fim da supremacia branca, unindo arquivo, fabulação crítica e renomados artistas

View of Saidiya Hartman's 2025 performance *Minor Music at the End of the World.*
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Saidiya Hartman, professora da Universidade de Columbia, inicia pela primeira vez a condução de uma obra própria. Em outubro, estreou Minor Music at the End of the World, uma performance de três movimentos que imagina o fim da supremacia branca. O projeto é colaborativo, reunindo cinema de Arthur Jafa, esculturas de Precious Okoyomon e som de Peter Born.

André Holland e Okwui Okpokwasili atuam como protagonistas, com Cameron Rowland listado como Attendant of the Archive. A encenação teve passagem por Veneza, alinhando-se ao tema central da Bienal, “In Minor Keys”. A equipe também envolve Gavin Brown como galerista e Hartwig Art Foundation como apoiadora.

Origem conceitual e até onde vai a ideia

Hartman afirma que a base é seu ensaio de 2020 The End of White Supremacy, escrito em resposta ao conto The Comet de W. E. B. Du Bois. O texto propõe imaginar um mundo pós-racismo por meio de uma narrativa apocalíptica.

Habilitada pela prática da fabulação crítica, a obra expande o arquivo histórico para além de registros diretos. Hartman descreve o processo como uma orquestra de vozes que ultrapassa a marca de uma visão singular.

Desenvolvimento e processo criativo

A montagem começa com um monólogo de 40 minutos, com Holland como narrador. O segundo movimento traz Dead River, novo texto coescrito com Okpokwasili. O terceiro movimento adapta AGHDRA, de Jafa, explorando o fim do humano e o potencial de Blackness no fim do mundo.

A artista ressalta que a performance não é peça teatral tradicional, mantendo o caráter performativo. Os movimentos combinam escrita, imagem e som para criar uma narrativa instigante e multifacetada.

Reflexões sobre o uso do arquivo

Hartman critica a apropriação inadequada de suas ideias por instituições. Ela cita uma situação na Alemanha que buscou usar a noção de fabulação crítica para justificar um museu colonial. Em resposta, afirma que o arquivo pode ser um espaço de violência.

Ela sustenta que o arquivamento deve ser questionado e reimaginado, evitando uso instrumental que reforce dominação. A autora aponta a importância de manter o arquivo como margem de pesquisa, não como documento de consolidação do poder.

Sobre o próximo livro e temas

Hartman avança que cada obra guarda a pergunta central: como imaginar transformações radicais? Seu novo livro analisa a Revolução Bolchevique e seu impacto sobre a vida de pessoas negras. A autora discute a relação entre estrutura e experiência cotidiana, mantendo o foco na abertura de possibilidades.

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