Na noite de 13 de junho, durante a estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo contra o Marrocos, uma família de Viçosa acompanha o jogo em Marraquexe. Teresa Cristina, Leonardus Vergutz e os filhos Davi e Gustavo estão com a camisa amarela na televisão.
A história começa com uma rotina simples: sair do carro em meio a uma multidão, conversar com um vendedor ambulante e comprar framboesas. O episódio, marcado pela curiosa saudação de um desconhecido, ganha significado pela experiência de viver no Marrocos.
Teresa, hoje com 44 anos, mudou-se com o marido engenheiro agrônomo e os filhos para buscar segurança longe da violência urbana vivida no Brasil. Em Viçosa, os pais eram professores universitários antes da mudança em 2019.
A família se estabeleceu em Marraquexe, onde Leonardus assumiu cargo de professor e pesquisador na UM6P, instituição criada pelo grupo OCP. O sabático se tornou uma permanência prolongada, com melhoria de condições de vida.
Teresa passou a empreender, mediando importações de commodities brasileiras para o mercado africano, especialmente café. Além disso, já comercializou carne e pimenta do reino, ampliando a atuação e contribuindo para a renda familiar.
Apesar de a adaptação ter sido gradual, Teresa relata sentir-se mais segura hoje. A convivência com o risco vivido no Brasil, incluindo assaltos, ficou para trás, segundo ela, ao menos em parte, com a mudança.
Marrocos abriga cerca de 400 brasileiros, segundo dados consulares, e Marraquexe é uma das cidades mais populosas do país. A percepção de segurança no país é reforçada por índices de criminalidade considerados moderados por fontes como a base de dados Numbeo.
Os filhos estudam em uma escola internacional americana e já dominam o inglês, o que influenciou a decisão de imigrar. A família utiliza o francês no dia a dia e encara o árabe como desafio difícil de dominar.
Sobre a vida social, Teresa observa laços mais restritos: apenas algumas amizades locais, com contatos maiores da família e uma sensação de entrosamento limitado. Ainda assim, reconhece o senso de comunidade e o apoio familiar.
A saúde financeira e profissional evoluiu: Leonardus deixou a universidade e hoje ocupa posição na diretoria da OCP. A mudança também permitiu viagens frequentes ao Brasil, fortalecendo os laços com a família de origem.
Apesar do apego ao Brasil, a família não vejo a mudança como definitiva. A previsão é ficarem mais dois ou três anos, período em que buscam equilíbrio entre as raízes brasileiras e a nova vida marroquina.
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