Morreu aos 71 anos, em Porto Alegre, no dia 2 de abril, Francisco Paulo Jorge Pinto, conhecido como Mestre Chico. A passagem deixa um marco na preservação da cultura afro-gaúcha, com atuação voltada para músicas, danças, lutas e idiomas de matriz africana entre as novas gerações.
Autodidata, Mestre Chico apresentava prosa com fluência de iorubá, quimbundo e lingala. Entre as formas de expressão que promovia estavam o tambor de sopapo, a capoeira, o samba de roda e cantos tradicionais, além de práticas de kung-fu. Mantinha atuação forte no centro de cultura Tambores de Angola, em Porto Alegre, e viajou o país levando o saber que acumulou ao longo da vida.
Vivia há cerca de duas décadas na capital gaúcha, onde lecionava e orientava estudantes, além de manter atividades de resgate cultural. No começo da vida, desfilou como mestre-sala no Carnaval de Pelotas e, ainda jovem, atuou como cambono na umbanda. Também era conhecido como Chico do Leque, por apresentações com um leque cerimonial de penas.
Legado
O legado de Mestre Chico é lembrado como guardião das tradições e referência no movimento negro brasileiro. Organizações locais destacam a importância de transmitir memória, oralidade e ações que fortalecem as culturas populares.
O Areal da Baronesa, quilombo urbano em Porto Alegre, enfatiza os ensinamentos repassados por meio de memória e prática. O sarau Sopapo Poético reforça que as sementes de negritude ficaram disseminadas por diversas comunidades da região.
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