Clarice Senna lança o álbum A Boca no Mundo, primeiro trabalho de estúdio da cantora paraense. O disco chega às plataformas digitais na madrugada de 18 de junho, com 10 faixas autorais que mesclam vanguarda amazônica e temas como feminino, saúde mental e acessibilidade.
Deficiente visual, Senna apresenta uma proposta de linguagem assistiva na música. Em entrevista ao blog Vencer Limites, do Estadão, ela detalha como suas letras descrevem imagens mentais e como isso se conecta à sua identidade DEF. O objetivo é expandir a fruição para diferentes formas de percepção.
O projeto recebeu apoio financeiro por meio de programas públicos, como o Fomento CULTSP e a PNAB, com incentivo do governo estadual paulista e do Ministério da Cultura. A produção executiva é de Esther Querat, com participação de diversos músicos conhecidos na cena regional.
A lista de faixas traz colaborações especiais, entre elas Mario Manga, Bocato e Alexandre Ribeiro, além de arranjos com violino, clarone e violino. Entre os destaques estão Ensolarada, A Boca no Mundo e Tempo de Viver, que exploram sonoridades da região amazônica e a sensorialidade da experiência auditiva.
A entrevista aborda ainda a atuação de Senna como cantautora, destacando o papel da autora que canta o que compõe. Ela afirma sofrer transformações ao ver a própria voz se moldar às suas composições, num movimento de protagonismo feminino na música autoral.
Sobre a acessibilidade no cenário cultural, a artista critica a visão de artística DEF como mera plateia. Ela lembra a pouca presença de cotas para pessoas com deficiência na prática de produção, editais e oportunidades de palco, destacando a necessidade de mudanças estruturais.
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