O show de estreia que mudou a vida de Maria Bethânia começou com um convite de cinco dias. Em fevereiro de 1965, a baiana de 18 anos foi chamada por Nara Leão para substituí-la no espetáculo Opinião, no Teatro de Arena de Copacabana, no Rio de Janeiro.
A peça, ao lado de Zé Keti e João do Vale, sob a direção de Augusto Boal e direção musical de Dori Caymmi, já era um marco da bossa nova. Bethânia aceitou seguir na montagem, tornando-se parte de um movimento que unia artistas de origens distintas para denunciar desigualdades.
O elenco apresentava contrastes: nordestino, carioca pobre, negro da favela e a cantora da Zona Sul. A mistura de estilos fortalecia o conteúdo crítico do show, que incluía canções engajadas socialmente. Foi nesse contexto que nasceu o primeiro grande sucesso de Bethânia: Carcará.
O que era para durar cinco dias transformou-se em carreira. Em entrevista ao Globo Repórter, Bethânia recorda que teve de retornar a Santo Amaro para explicar aos pais que não seria apenas uma viagem curta. O pai, Zezinho, apoiou a decisão.
A mudança de Bethânia teve desdobramentos para a família Veloso. O irmão Caetano Veloso decidiu ir também ao Rio, incentivado pelo ambiente musical que a irmã abriu. Gilberto Gil, Edu Lobo e outros nomes passaram a colaborar com ela ao longo dos anos.
Ao longo da trajetória, Bethânia consolidou marcos expressivos. Em 1978, tornou-se a primeira cantora brasileira a vender mais de 1 milhão de cópias com um único álbum, Álibi. A artista manteve a declamação do repertório nordestino como marca de estreia.
Hoje, aos 80 anos, Bethânia mantém a tradição de shows com ampla entrega. Chega ao palco com horas de antecedência, reza e pede licença aos deuses da cena antes de cantar, prática que preserva desde o impacto inicial do Opinião em Copacabana.
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