Fiona Mozley, autora de Elmet, lança Awake Awake, sua sequência que explora memória pessoal e histórica. O romance mergulha em York, cidade que moldou a carreira da escritora, e discute como o passado interfere no presente. A narrativa acompanha uma memória ainda turbulenta.
Mary Mooney, narradora e também novelista de origem yorkina, relata sua doença mental e a relação com familiares, amigos e figuras religiosas. A história começa na infância, com descrições detalhadas do cotidiano familiar, escola e religião.
Conforme avança, surgem dúvidas sobre a veracidade das lembranças. Algumas pessoas lembradas por Mary jamais existiram, segundo familiares, médicos e terapeutas. O mistério envolve o que é real e o que é ficção construída pela mente.
A voz da narradora é marcada pela tentativa de honestidade, aliada à sutileza narrativa da autora. Mary está em tratamento com antipsicóticos, o que complica a distinção entre memória e alucinação, lembrando Hitchcock em certos momentos.
O romance propõe um debate sobre memória pessoal versus memória histórica, e como ambos se entrelaçam. Sustenta que a história de Charles Mozley — avô judeu premiado com o Nobel — pode ter funções simbólicas ou ficcionais.
Awake Awake também é visto como um retrato agudo de falhas morais e políticas na Inglaterra contemporânea. A obra cruza ficção autobiográfica com autoficção, mantendo o leitor em dúvida até o desfecho, sem oferecer respostas definitivas.
Contexto e estilo
- Mozley já teve reconhecimento internacional por suas obras anteriores, com indicação ao Booker Prize em Elmet.
- O livro alterna entre linguagem cotidiana e passagens mais austero, refletindo a instabilidade do tempo narrativo.
- A obra provoca questionamentos sobre memória, realidade e o papel da ficção na compreensão do passado.
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