Foi em 2022, durante a Copa do Mundo do Catar, que Alencar Schueroff concebeu um álbum de figurinhas dedicado à literatura brasileira. Em vez de craques do futebol, o projeto reúne autores nacionais de várias regiões, como Machado de Assis, Jorge Amado e Érico Veríssimo.
O álbum literário funciona assim: são 12 escolas literárias com 68 autores, total de cromos menor que a Copa. Diferentemente do tradicional, ele não é vendido em banca; é necessário imprimir em casa ou em gráfica. A proposta é provocar um novo olhar sobre a cultura brasileira.
Santos católicos também aparecem
Outro projeto pioneiro transforma santos em figurinhas. Criado por Lucas Bonifácio, o Álbum de Figurinhas Católicas tem 400 cromos distribuídos em sete categorias, com opções de brochura ou capa dura. A ideia busca engajar catequistas e estudantes, funcionando como porta de entrada para a prática religiosa.
Bonifácio já criou um jogo de tabuleiro católico e observa que alunos trocam figurinhas em sala de aula. Ele afirma que o álbum não substitui a leitura, mas facilita o interesse inicial por conteúdos religiosos.
Do colecionismo às novelas
O pesquisador Mauro Alencar, com doutorado em Teledramaturgia, coleciona álbuns de novelas desde a infância. Entre os exemplares mais procurados estão títulos de Globo, Record e SBT, com valores que chegam a centenas de reais no mercado de colecionáveis. Peças raras incluem álbuns ligados a novelas como Escrava Isaura, fotografados em Cuba.
A Panini domina o mercado com álbuns de esporte e entretenimento, incluindo lançamentos recentes de Dragon Ball e Sonic. A editora coordena contrato com a FIFA até 2030; após esse período, a Topps assume a produção.
Panorama entre editoras nacionais
A Kromo iniciou atividades em 2003 e publica entre 3 e 4 álbuns por ano, com títulos como Looney Tunes e Dinossauros. O álbum de Cocoricó figura entre os mais vendidos, impulsionando outras edições infantis. A Pixel, por sua vez, conquistou sucesso com Enaldinho, registrando milhões de cromos vendidos.
A indústria de figurinhas brasileira, com editoras como Panini, Kromo e Pixel, tem enfrentado desafios como queda de bancas e pontos de venda. Ainda assim, a cada lançamento, surgem novidades de formatos e temas, mantendo o apelo entre fãs e colecionadores.
Entre na conversa da comunidade