O que está acontecendo: surgem nos EUA e ganharam espaço no Brasil novos padrões de consumo chamados doom spending, compras feitas para aliviar a ansiedade econômica sem intenção de poupar ou acumular patrimônio. A prática se intensifica em ambientes de alta inflação e incerteza financeira.
Como funciona: na Coreia do Sul, aparecem sites de dopamina, lojas simuladas onde o usuário navega, escolhe, paga e acompanha a entrega, sem receber o produto. A diferença está na antecipação consumir dopamina mais do que a posse. Especialistas veem relação direta com pressão de custo de vida.
Quem está envolvido: consumidores de várias faixas etárias, com destaque para jovens e adultos endividados. Dados recentes apontam que nos Estados Unidos 27% admitem gastar assim por ansiedade; entre Gen Z chega a 37% e entre millennials, 39%.
Quando e onde: o fenômeno é observado recentemente em mercados desenvolvidos e já repercute no Brasil. Pesquisas indicam que a inflação elevada e a instabilidade do mercado elevam a propensão ao consumo impulsivo como resposta ao estresse financeiro.
Por que ocorre: especialistas apontam que a fraqueza de planejamento financeiro se alia a técnicas algorítmicas de plataformas digitais. Propagandas personalizadas alimentam desejos reais ou simulados, gerando gasto desenfreado.
Impactos econômicos: nos EUA, a dívida de cartão de crédito supera 1,2 trilhão de dólares no fim de 2025. No Brasil, mais da metade da população adulta possui nome negativado, segundo o Serasa, refletindo o peso do endividamento.
Desdobramentos: analistas destacam que o doom spending revela falhas na educação financeira e na regulação de plataformas. Especialistas sugerem maiores mecanismos de transparência e educação sobre responsabilidade de consumo.
Contexto macro: a conjuntura inclui inflação persistente, volatilidade geopolítica e desigualdade em alta. Em termos de visão econômica, a prática expõe vulnerabilidades de famílias que vivem à beira do endividamento para manter o consumo.
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