Na abertura da CineOP em Ouro Preto, Helena Solberg, hoje com 88 anos, recebeu o troféu Vila Rica. A cerimônia ocorreu na praça Tiradentes, sob céu frio, com casacos e cachecóis. Solberg dedicou o reconhecimento aos seus primeiros passos no cinema.
As atrizes Lúcia Murat, 77, e Tata Amaral, 65, prestaram homenagem à diretora. Murat apresentou Que Bom Te Ver Viva, seu primeiro longa, exibido na mostra. Amaral trouxe a cópia restaurada de Um Céu de Estrelas, também a estreia de sua carreira.
Premiação e retrospectiva
A CineOP enfatizou o tema Como Elas Começaram? Memórias do Primeiro Filme. Solberg aborda em A Entrevista, de 1966, as questões de sexualidade, carreira e política que moldaram a vida de uma jovem de classe média do Rio. A produção permanece atual.
Solberg também mencionou a evolução do cinema feminino, apontando influências de Glauber Rocha, Mário Carneiro, Cacá Diegues e Arnaldo Jabor, com quem aguardou mudanças no mundo. Ela comenta que a intuição foi decisiva para a linguagem.
Olhar para o passado e o futuro
A cineasta retomou a trajetória de Solberg nos Estados Unidos, nos anos 1970, com a Trilogia da Mulher. Em A Nova Mulher (1974), Dupla Jornada (1975) e Simplesmente Jenny (1977), registrou lutas femininas, operárias e jovens vítimas de violência, hoje em exibição no site da CineOP.
Entre os destaques da edição, a nova cópia de O Ébrio, de 1946, abriu a sessão de sexta-feira na praça central. A restauração, liderada por Hernani Heffner e a equipe da Mapa Filmes/Link Digital, elevou a imagem para 4K, com melhorias de som e enquadramento.
Alice Gonzaga, filha de Adhemar Gonzaga e presidente da Cinédia, revelou que a produtora tem 56 filmes em catálogo; pelo menos 20 foram restaurados nos últimos anos. Ela planeja iniciar recuperações de Tererê Não Resolve, Maridinho de Luxo e Eterna Esperança.
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