O filme chinês Dear You tem chamado atenção pelo seu desempenho de bilheteria e pela escolha linguística incomum para o cinema nacional. Lançado em 30 de abril, o longa independente arrecadou US$ 265,1 milhões (R$ 1,3 bilhão) apenas em cinemas da China, com orçamento de US$ 2,1 milhões (R$ 10,8 milhões). É o segundo filme chinês mais visto em 2026, atrás de Pegasus 3.
A obra é filmada inteiramente em teochew, língua falada por cerca de 15 milhões de pessoas, principalmente da etnia Hakka, em áreas do sul da China e em comunidades no sudeste asiático. A narrativa acompanha um neto que busca o avô, que emigrou para a Tailândia, e retrata a tradição de remessas e cartas entre imigrantes chineses do século XX.
Apesar do sucesso de bilheteria, o uso do teochew se destacou como elemento de identidade cultural. A produção ocorre em um momento em que Pequim fortalece o mandarim como língua oficial do sistema educacional e da administração pública, conforme Lei de Promoção Nacional à Unidade Étnica e o Progresso aprovada em março.
Desempenho e contexto linguístico
O fenômeno divide atenções entre popularidade regional e política linguística. Entidades de mídia chinesas destacam a ressonância do filme com o público, que revela interesse por culturas regionais em cinema, moda e videogames. A massificação do mandarim é alvo de políticas com impacto sobre idiomas locais.
O governo sustenta que valoriza a diversidade linguística, com 81 idiomas no país, mas jovens tendem a manter contato menor com línguas regionais. Em alguns casos, comunidades enfrentaram medidas para reduzir o uso de línguas não mandarinazadas em escolas e serviços públicos.
Lançamento internacional e distribuição
Dear You teve estreia em Cingapura na semana passada, onde parte da população tem herança teochew. Porém, várias salas exibem o filme com dublagem em mandarim, gerando controvérsia entre quem desejava ouvir o idioma original na tela.
A história apresenta o cotidiano de imigrantes chineses que enviavam cartas curtas com remessas para a família na China. Em plataformas de avaliação, o filme recebe boa recepção, com nota alta no Douban. A estreia na América do Norte está prevista para 26 de junho.
Ainda não há confirmação de lançamento no Brasil, mas as chances aumentam em função do Ano Cultural Brasil-China 2026. A produção segue como referência na discussão sobre a coexistência de línguas regionais com políticas nacionais de língua.
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