O termo drag não tem origem em Shakespeare nem é acrônimo de “Dressed Resembling A Girl”. A explicação comumente espalhada na internet não se sustenta, e exige que se observe a evolução lexical ao longo dos séculos.
Dois planos ajudam a entender: a etimologia de drag como verbo e como substantivo. O verbo surge no inglês médio a partir de draggen, ligado a puxar ou arrastar, vindo do nórdico antigo draga. Não há relação direta com travestismo.
Quando o termo passou a designar pessoas que se vestem como o sexo oposto, o caminho é mais nebuloso. Estudos apontam que, no teatro, o vestuário de atores masculinos para papéis femininos deu origem a uma gíria ligada a roupas de mulher, possivelmente associada ao arrasto do vestido.
A hipótese mais antiga situaria a origem da referência ao travestismo no palco, com a prática de encenar papéis femininos por homens. No entanto, a definição pode ter surgido apenas no século XVIII ou XIX, segundo pesquisadoras como Lady J, que ligam o uso ao contexto vitoriano inglês.
O marco documental mais antigo apontado ocorre em 1860, na Inglaterra vitoriana, quando Ernest Boulton descreveu performances de travestismo como “drag”. A partir daí, o termo passou a designar não só a prática, mas uma forma de arte e identidade.
Ao longo do século XX, a expressão ganhou projeção global. Bailes drag no Harlem, a partir dos anos 1920, ajudaram a levar a prática para além do circuito fechado, com shows em cabarés e casas noturnas.
Na década de 1960, a visibilidade cresceu com a ascensão da cultura LGBTQIA+. Estudos indicam que as drag queens se tornaram figuras centrais na comunidade, especialmente durante confrontos com a polícia em cidades como São Francisco e Nova York.
Assim, a história do termo é marcada por várias fases: raízes linguísticas antigas, uso ligado ao travestismo no teatro, popularização no século XX e fortalecimento como expressão artística e identitária. O que aconteceu separadamente do mito, é que o termo ganhou permanência cultural.
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