O projeto de completar Don Quixote, de Orson Welles, avança com a formação de um consórcio de arquivistas europeus. A iniciativa reúne arquivos da França, Espanha e Itália, com a participação do Munich Film Museum, para transformar cerca de 30 horas de material disperso em um filme coerente. O apoio vem também da parceira de Welles, Oja Kodar.
A equipe liderada por Esteve Riambau, autoridade sobre Welles, coordena o trabalho. A Cineteca Nazionale de Roma digitaliza 50 mil metros de negativo, somando-se aos 50 mil metros de película 16 e 35 mm guardados na Espanha e aos 80 minutos de filmagem em França. A obra foi iniciada entre 1956 e 1976 em vários países, em uma produção que nunca chegou a um corte definitivo.
O objetivo é apresentar o material existente sem inventar cenas, respeitando a visão parcial de Welles. O projeto trata o filme como um mosaico de peças, com lacunas a serem demonstradas de forma fiel. A maior parte do material é em preto e branco, com algumas cenas coloridas gravadas na Andaluzia, e o áudio permanece incompleto em boa parte das sequências.
Progresso e próximos passos
A equipe não dispõe de um roteiro completo, mas afirma possuir material suficiente para reconstruir parte significativa da obra. Barras de montagem serão abertas para exibir o cânone existente, evitando recursos de ficção ou hipóteses sobre o que não foi filmado.
O registro indica que grande parte das cenas foi rodadas em México, Itália e Espanha, ao longo de duas décadas. O objetivo é mostrar a obra nos limites do que foi gravado, preservando a autenticidade da direção e da concepção de Welles, sem fantasias.
Desdobramentos e cronograma
Segundo Riambau, a aplicação prática do projeto envolve contraste entre o que ficou inédito e o material já preservado. A previsão é que a reconstrução leve tempo, com estimativa de conclusão apenas em fases futuras, devido à necessidade de digitalização, restauração de áudio e alinhamento de imagens entre os três países.
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