O vale de Apremont, em Savoie, tem origem ligada a uma calamidade geológica. Em 24 de novembro de 1248, uma seção da face norte de Mont Granier desabou, causando uma das maiores deslizamentos da Europa. Cinco vilarejos foram soterrados.
Anos depois, agricultores locais encontraram na Jacquère, uva branca nativa, a mais viável para o solo rochoso. Hoje as vinhas de Apremont ocupam os restos da montanha e as aldeias soterradas, refletindo uma história de renovação.
Origens e terroir
Jacquère é a uva símbolo de Apremont, produzindo brancos pálidos, cristalinos, com notas florais, nuance de minérios e acidez cítrica. Os vinhos apresentam frescor salino e lembranças de pistache e limão.
Caso semelhante a Muscadet e Chablis, as expressões de Apremont guardam uma mineraliade alpina distinta. O estilo tende a ser leve, com textura mineral e finais limpos, em torno de 11% de álcool.
Viagem ao retrato de Apremont
A narrativa de Apremont combina turismo e enologia. O cenário topográfico remete à França antiga e à geologia, reforçando a ideia de tempo e lugar presentes em cada gole.
Os vinhos costumam harmonizar com fondue, raclette e frutos do lago, além de ostras e mariscos. Em taça, revelam equilíbrio entre delicadeza e precisão, típico da região.
Onde provar e quem produz
Entre as referências, Domaine Giachino destaca-se com o Apremont Jacquère 2023, marcado por acidez fresca, notas florais silvestres e um toque cítrico. Preço na França fica entre €15 e €24.
Outra opção é Domaine Dupraz, Phoenix, 2023. O uso de ovos de concreto realça a sensação de neve derretida no vinho, com notas de jasmim, abacaxi, brioche e final salino lento.
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