- Kinlaw passou dois anos como artista residente na câmara anecóica do Bell Labs, explorando sons do corpo durante o silêncio extremo.
- Em dezembro de 2024, apresentou canções do álbum synthpop gut ccheck no topo de um estacionamento de dois andares em SoHo, sem autorização nem venda de ingressos, negociando acesso diretamente com trabalhadores.
- O novo projeto, FALL RISK, aborda falhas do sistema de saúde que afastam pessoas quando mais precisam, já apresentado pela primeira vez em Art Omi, no norte de Nova Iorque, suspensa por 128 pés de altura.
- Durante a performance, Kinlaw narra a história de cuidar da mãe com deficiência enquanto os pais enfrentam pobreza, com vocais no ar que acompanham a situação de risco.
- Kinlaw planeja uma nova apresentação de FALL RISK em Times Square, para colocar em evidência o custo humano dos sistemas que medem vidas por meio de instrumentos financeiros e de risco.
Kinlaw, performer e artista multidisciplinar, está desenvolvendo uma prática centrada no corpo, na materialidade e no trabalho de risco. Em residência de dois anos na câmara anecoica do Bell Labs, ela explorou o silêncio e as sensações físicas que emergem do corpo em movimento, transformando-as em linguagem perceptível.
Sua atuação transita entre coreografia, música, som e artes performativas. Em conversa recente com a artista, descreveu o processo como a criação de uma situação de alto risco, tornando visível uma tensão interna que orienta a montagem e a presença no palco.
A Parking Lot em SoHo e o risco como motor da obra
Em dezembro de 2024, Kinlaw apresentou trechos de seu álbum synthpop gut cchek no topo de um estacionamento de dois andares, em SoHo, sem permissão ou bilheteria. A negociação ocorreu diretamente com trabalhadores, resultando em uma audiência que superou expectativas, não pela estrutura institucional, mas pelo impulso de participação espontânea.
O episódio reforça o eixo do trabalho atual: a precariedade do sistema de saúde e como ele falha quem precisa de cuidado. A artista já apresentou a primeira edição de FALL RISK no Art Omi, No interior de Nova York, suspensa a 128 pés por uma grua, narrando a história de cuidado com a mãe, na pobreza que se instala ao redor. O momento de maior intensidade vem da voz em queda livre enquanto está pendurada.
FALL RISK e o pedido por um novo formato
A obra questiona as crises que atingem corpos de formas diversas e como sistemas médicos, sociais e econômicos amplificam o sofrimento. Em uma das passagens marcantes, a repetição de um refrão enfatiza o desgaste do corpo da própria artista em meio à narrativa de cuidado a uma mulher próxima.
Kinlaw projeta uma nova iteração de FALL RISK em Times Square, envolvendo-se com uma estrutura de alto risco. A ideia é pendurar-se de uma grua no coração de Midtown, cercada por setores que calculam o custo de uma vida humana. O objetivo é criar um frame crítico para refletir sobre dívidas de cuidado e sobre corpos que ficam expostos às métricas financeiras.
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