Em 1935, a polícia prendeu líderes de um terreiro em Madureira, no Rio de Janeiro, acusando-os de charlatanismo durante uma festa em homenagem a Ogum, um orixá. Eles tiveram objetos sagrados, como atabaques e roupas de rituais, apreendidos, que foram usados como provas contra eles. Essa ação foi uma das muitas repressões a religiões de matriz africana que ocorreram entre 1890 e 1946. Os itens apreendidos fazem parte do Acervo Nosso Sagrado, que contém 519 peças e está passando por um processo de revisão e tombamento pelo Iphan. O objetivo é combater o racismo religioso e preservar a memória das tradições africanas no Brasil. As peças, que incluem roupas e imagens, foram transferidas para o Museu da República e rebatizadas para refletir uma reparação ao racismo religioso. O Iphan trabalha em conjunto com líderes religiosos para garantir que cada item seja tratado com respeito. A revisão pode ampliar o número de itens tombados e ajudar a entender melhor a importância de cada peça. Além disso, houve repressões semelhantes em outros estados, como a Quebra de Xangô em Maceió em 1912, onde muitos centros de religiões africanas foram destruídos. O tombamento de acervos de origem africana é importante para preservar a memória cultural do Brasil, já que menos de 1% dos bens tombados pelo Iphan estão relacionados a essas tradições.
O Acervo Nosso Sagrado, que reúne itens apreendidos de religiões de matriz africana, passa por um processo de revisão e tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O objetivo é combater o racismo religioso e preservar a memória das tradições africanas no Brasil.
Entre 1890 e 1946, o Rio de Janeiro enfrentou repressão a terreiros, com diversas batidas policiais que resultaram na apreensão de objetos sagrados. Um exemplo emblemático ocorreu em 1935, quando policiais prenderam líderes religiosos em um terreiro de Madureira, acusados de charlatanismo. Na ocasião, foram confiscados atabaques, roupas de rituais e imagens, que foram usadas como provas de práticas consideradas ilegais.
O Acervo Nosso Sagrado, formado por 519 itens, inclui roupas, imagens e instrumentos sagrados. Esses objetos foram transferidos do Museu da Polícia Civil para o Museu da República e rebatizados em uma tentativa de reparar a história marcada pelo racismo religioso. A superintendente do Iphan-RJ, Patrícia Wanzeller, destaca que cada peça tem uma história única e que a pesquisa sobre elas é feita com a orientação de líderes religiosos.
Revisão e Tombamento
A revisão do acervo, chamada de “rerratificação”, é realizada por técnicos do Iphan e pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Atualmente, 126 itens estão tombados, e a revisão pode ampliar esse número. A coordenadora-geral de Identificação e Reconhecimento do Iphan, Vanessa Pereira, afirma que a inclusão de dados históricos e informações dos religiosos é essencial para entender a importância de cada item.
Além do Rio de Janeiro, outros estados também sofreram repressão a religiões de matriz africana. Em 1912, por exemplo, a operação conhecida como Quebra de Xangô resultou na destruição de 70 centros em Maceió. O tombamento de acervos de origem africana é fundamental para preservar a memória cultural do Brasil, segundo a pesquisadora Rosiane Rodrigues, da Universidade Federal da Bahia.
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