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Bembé do Mercado celebra resistência negra e busca reconhecimento da Unesco

Bembé do Mercado, festa de resistência cultural em Santo Amaro, ganha destaque com 9 mil fotos e homenagem no carnaval do Rio em 2024.

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O Brasil foi o último país da América a acabar com a escravidão, em 1888. A comunidade negra de Santo Amaro da Purificação, na Bahia, celebra essa data com o Bembé do Mercado, uma festa religiosa que representa resistência cultural. O fotógrafo Roque Boa Morte registrou a festa com mais de 9.000 imagens, que farão parte do Museu Afrodigital de Memória Afrodiaspórica. Em 2024, o Bembé será homenageado no carnaval do Rio de Janeiro, aumentando sua visibilidade. A festa, que começou como uma celebração da liberdade, envolve danças, rituais e a participação de muitos grupos culturais. Boa Morte, que tem um forte vínculo com a festa desde a infância, busca retratar a verdadeira essência do evento, evitando olhares externos que podem distorcer sua importância. Ele destaca que, apesar do crescente interesse, a magia e o significado profundo da celebração permanecem invisíveis para muitos. A festa também enfrentou desafios, como a intolerância religiosa, mas continua a ser um símbolo de luta e identidade.

O Bembé do Mercado, festa religiosa de resistência cultural da comunidade negra de Santo Amaro da Purificação, na Bahia, celebra a abolição da escravidão no Brasil, ocorrida em 13 de maio de 1888. Este evento, que se destaca como a única celebração desse tipo no país, tem ganhado visibilidade nos últimos anos e será homenageado no carnaval do Rio de Janeiro em 2024.

O fotógrafo Roque Boa Morte documentou a festa com mais de nove mil imagens, que farão parte do Museu Afrodigital de Memória Afrodiaspórica, vinculado à Universidade Federal da Bahia. Boa Morte, que cresceu em Santo Amaro, busca retratar a festa de forma autêntica, superando uma visão eurocêntrica que predominou em registros anteriores.

Importância Cultural

O Bembé do Mercado, que teve origem com João de Obá, um ex-escravizado, é um símbolo da luta pela liberdade e resistência da população negra. A festa reúne mais de sessenta terreiros e inclui danças, rituais e apresentações teatrais que relembram a história da escravidão. O ponto alto da celebração é o xirê, ritual que homenageia os orixás, especialmente Xangô, deus da justiça.

José Raimundo Chaves, conhecido como Pai Pote, é o administrador da festa e expressa orgulho pelo trabalho de Boa Morte, que valoriza a cultura negra e o legado de Santo Amaro. As fotografias de Boa Morte estão expostas na mostra A festa dos olhos do Rei, na praça do mercado, onde a celebração acontece.

Desafios e Reconhecimento

O crescente interesse pelo Bembé traz desafios, como a preservação do misticismo da festa. Boa Morte destaca a importância de permitir que os moradores locais contem suas histórias, evitando a exploração externa. Além disso, um documentário sobre Pai Pote, intitulado “Pai Pote, o filho de Ogun”, foi lançado durante a festa, ampliando ainda mais a visibilidade do evento.

A partir de fevereiro de 2024, o Bembé será homenageado pela escola de samba Beija-Flor no carnaval carioca, o que representa um marco significativo para a cultura afro-brasileira. Apesar do receio de que a popularidade possa diluir a essência da festa, Boa Morte acredita que a magia e a profundidade do Bembé permanecerão intactas.

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