Hito Steyerl é uma artista e escritora que critica a relação entre imagens, tecnologia e política. Em seu novo livro, “Medium Hot: Images in the Age of Heat”, ela aborda a exploração ambiental e humana na indústria de inteligência artificial e Web3, destacando o alto consumo de energia e a precarização do trabalho. Steyerl critica a promessa do uso de IA e criptomoedas, apontando que essas tecnologias são extremamente prejudiciais ao meio ambiente e exploram trabalhadores que recebem pagamentos mínimos por tarefas. Ela menciona o caso de mulheres curdas que trabalham em condições difíceis, usando suas experiências para ilustrar a exploração. Embora o livro trate de conflitos em regiões como Gaza e Ucrânia, Steyerl evita tomar partido, o que gera uma sensação de desconexão em suas análises. Ela também discute como a arte digital e os NFTs contribuem para um novo tipo de exploração financeira. Steyerl sugere que, em vez de um futuro dominado por uma IA autoritária, poderíamos imaginar um mundo mais justo e cooperativo.
Hito Steyerl, artista e escritora, lança seu novo livro Medium Hot: Images in the Age of Heat, que critica a exploração ambiental e humana na indústria de inteligência artificial (IA) e Web3. A obra, publicada pela Verso, aborda o impacto energético e a precarização do trabalho, sem tomar partido em conflitos globais.
Steyerl, conhecida por suas análises sobre a interseção entre imagens, tecnologia e política, já havia explorado temas semelhantes em livros anteriores, como The Wretched of the Screen e Duty Free Art. Em Medium Hot, ela critica a promessa do uso de IA generativa e das criptomoedas, destacando a exploração de trabalhadores remotos e os danos ambientais causados por essas tecnologias.
A artista menciona que a mineração de criptomoedas prospera em zonas de conflito, onde a instabilidade política gera condições favoráveis para a exploração de recursos. Um exemplo citado é o trabalho de mulheres curdas em campos de refugiados, que realizam tarefas para treinar veículos autônomos, apesar de enfrentarem dificuldades de mobilidade.
Críticas à Indústria de IA
Steyerl argumenta que a indústria de IA e Web3 consome enormes quantidades de energia e perpetua a exploração de trabalhadores, que são pagos em pequenas frações por suas tarefas. A autora destaca que a arte digital e os NFTs (tokens não fungíveis) contribuem para a criação de um novo estágio de financeirização, caracterizado pelo desperdício energético e pela pegada de carbono elevada.
A obra também menciona a crescente dependência de serviços de IA, como o ChatGPT, e questiona o que acontecerá quando esses serviços se tornarem pagos. Steyerl sugere que a publicidade em torno da IA generativa esconde sua verdadeira utilidade como ferramenta de controle e dominação.
Neutralidade e Conflitos
Embora Steyerl aborde conflitos contemporâneos, como os da Ucrânia e Gaza, ela evita tomar uma posição clara sobre esses eventos. Essa neutralidade gera uma sensação de desconexão em sua análise, ao se referir a guerras como “conflitos”. A autora, que já se posicionou em solidariedade a causas como a libertação curda, agora parece hesitar em expressar opiniões sobre a atualidade política.
A obra termina com uma reflexão sobre o futuro da IA, questionando se a resposta à dominação tecnológica pode ser uma nova forma de economia cooperativa. Steyerl sugere que, em vez de aceitar a narrativa de que não há escolha, é possível imaginar um futuro mais justo e sustentável.
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