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Nuno Ramos dirige sua primeira ópera, abrindo projeto político e memorialístico

Nuno Ramos dirige Intolleranza 1960, ópera de Luigi Nono, em estreia no Theatro Municipal de São Paulo, ligando arte, memória e protesto político

Nuno Ramos estreia na ópera e prepara livros e exposição
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  • Intolleranza 1960, primeira ópera de Luigi Nono, estreia no Theatro Municipal de São Paulo em 29 de maio, com direção artística de Nuno Ramos e Eduardo Climachauska.
  • A montagem utiliza imagens projetadas, filme, sons eletrônicos e um palco cercado por alto-falantes, transformando o espaço em uma praça pública onde arte e política se entrelaçam.
  • A ópera aborda imigração, violência do Estado, tortura, campos de concentração e catástrofes ecológicas, incluindo referências à bomba atômica de Hiroshima.
  • A cenografia inclui a réplica da cúpula de Hiroshima, símbolos de gelo e tableaux vivos, com cinco solistas, coral de oitenta pessoas e dezesseis bailarinos.
  • Após a ópera, Nuno Ramos prepara exposição em Belo Horizonte, livro pela Todavia intitulado Minha Voz de Volta (com duas partes) e o projeto editorial Seven Volumes, incluindo títulos como Às Vezes, A Extinção é para Sempre, 111 e Animais no Palco.

O músico italiano Luigi Nono, conhecido por posicionar a revolução na prática artística, tem sua obra Intolleranza 1960 encenada pela primeira vez em sua direção. A montagem estreia no Theatro Municipal de São Paulo no dia 29 de maio, com a participação de Nuno Ramos na direção e Eduardo Climachauska, ambos artistas plásticos.

A ópera, criada no pós-guerra, utiliza recursos experimentais como projeções, filme, sons eletrônicos e um coral de 80 vozes. Em cena, cinco solistas, 16 bailarinos e um elenco que transforma o espaço teatral em praça pública, destacando temas como imigração e violência estatal.

A partir de uma visão do desastre, a montagem aposta na cúpula do Memorial de Hiroshima como símbolo de resistência e alerta ambiental. Ramos ressalta que a obra dialoga com questões contemporâneas, sem condescendência com o público.

Desdobramentos e leituras

Ramos e Climachauska vão apresentar gravuras de Goya para representar os Desastres da Guerra, conectando o espetáculo a quadros vivos que dialogam com a violência estatal contra civis. Um elemento cenográfico é o gelo, como alerta ecológico.

A encenação enfatiza o coletivo: além dos cantores, o elenco conta com coral, bailarinos e uma participação forte da plateia em momentos-chave. A dramaturgia do libreto mistura textos de referência, encerrando com um poema de Brecht e a imagem de um rio que transborda.

Além da ópera: exposição, livro e projetos

Pós-estreia, Nuno Ramos prepara uma exposição em Belo Horizonte baseada na frase “a culpa não é do povo”, presente em Glauber Rocha. A instalação envolve 18 bonecos que, sob regência, proferem a frase, em uma leitura política da obra.

Em paralelo, o artista trabalha na publicação de um livro pela Todavia, previsto para novembro, intitulado Minha Voz de Volta. O trabalho mescla memórias pessoais com componentes ficcionais, em duas partes distintas.

Ramos também divulga um projeto editorial de caráter mais amplo, com lançamento previsto para março do próximo ano. A obra, organizada em sete volumes, aborda diferentes fases de sua produção artística e literária.

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