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Droga do prazer feminino não anima romance de Juan Cárdenas

Na obra "Ornamento", droga de prazer feminino desperta êxtase coletivo entre lavadeiras; narrador frio minimiza drama pessoal

O autor colombiano Juan Cárdenas
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  • Em “Ornamento”, de Juan Cárdenas, grupo de cientistas sintetiza no laboratório o princípio psicoativo de uma flor que provoca êxtase coletivo quando usada em sabões; a testosterona neutraliza o efeito para que apenas as mulheres sintam o impacto.
  • O narrador é um médico responsável pelos experimentos com quatro voluntárias; ele registra os resultados num diário direto, com tom cínico e desinteressado.
  • A paciente número quatro, que recebe apenas essa designação, desperta fascínio do médico ao falar e revelar relatos oníricos sobre a mãe, contrastando com as outras que adormecem.
  • A mulher de origem pobre surpreende o elitismo do médico com seu discurso e inteligência, ganhando espaço na vida pessoal dele e desencadeando um triângulo amoroso com a esposa do narrador, artista plástica.
  • O romance levanta a ideia de uma droga que pode democratizar o prazer, mas o tom seco da prosa e lacunas na trama dificultam a imersão, mantendo, porém, algumas cenas fortes da paciente número quatro e das paisagens que cercam o médico.

O romance Ornamento, de Juan Cárdenas, ganha publicação no Brasil em 2026, embora tenha sido lançado em 2015. A obra apresenta uma premissa central: um grupo de cientistas sintetiza em laboratório o princípio psicoativo de uma flor, que, quando integrada em sabões, provoca êxtase coletivo entre lavadeiras das cordilheiras. A testosterona, porém, neutraliza o efeito, permitindo que apenas as mulheres aproveitem a droga.

O narrador é um médico responsável por uma fase de experimentos com quatro voluntárias. A história é narrada por meio de um diário direto, marcado por cinismo. O foco recai sobre a paciente número 4, cuja identidade permanece obscura ao longo da trama. Enquanto as outras participam dos efeitos, ela começa a falar e tece relatos oníricos sobre a mãe.

Em relação aos outros aspectos, o enredo mostra o médico se envolvendo na vida pessoal da mulher, perturbando seu casamento com uma artista plástica. Surge, assim, um triângulo amoroso alimentado pela presença da droga. A narrativa usa esse conflito para explorar desejos e dinâmicas de poder.

O ornamento, no texto, aparece como encanto das situações cotidianas, bem como como excesso valorizado pela personagem feminina. O médico reage com ceticismo a esse tom, comparando imagens religiosas a traços do tráfico, numa foto de comparação entre laboratórios e mercados.

A droga é apresentada como arte feminina e igualitária, capaz de provocar satisfação ampla, segundo a personagem 4. Ela sugere que o mercado comercializa o corpo e o prazer, provocando reflexões sobre autonomia e acesso ao bem-estar.

Apesar das qualidades da premissa, a prosa de Cárdenas é descrita como seca e com lacunas significativas. O leitor precisa preencher partes do enredo sem receber todas as informações. Ainda assim, o texto oferece cenas marcantes nas falas da paciente 4 e na paisagem que contrasta com o discurso do médico.

Em síntese, Ornamento apresenta um núcleo instigante sobre prazer, classe e ciência. O relato da paciente 4, a paisagem que cerca o médico e a tensão entre desejo e responsabilidade formam os aspectos mais fortes da história. Entretanto, a abordagem fria da escrita reduz o potencial dramático da obra.

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