Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Cor de Defunto retrata mulher em luto sem sentimentalismo

Romance de estreia de Cami di Malta expõe o peso das heranças familiares sobre mulheres, em luto que oscila entre vida e morte e desemboca em anti-clímax

Mulher de cabelos longos e cacheados sentada em sofá amarelo, vestindo calça listrada e blusa preta. Ao fundo, quadro colorido com várias cenas em parede vinho.
0:00
Carregando...
0:00
  • “Cor de Defunto” é o romance de estreia da fortalezense Cami di Malta, com a narradora Lilá, que relembra a infância marcada pela precariedade, medo de um pai violento e o luto pela mãe.
  • A obra alterna memórias de criança com o presente, em que Lilá trabalha em uma agência funerária e, posteriormente, no embalsamamento de corpos.
  • A linguagem é contida e ágil, evitando sentimentalismo e discursos vitimistas, com humor mórbido e elementos que fogem de caminhos sentimentais.
  • O luto é apresentado como um limbo entre vida e morte, onde a distância da mãe é mantida pela condição de cuidadora e pela experiência de risco familiar.
  • O desfecho é marcado por uma passagem a uma cartomante, recurso intertexto que funciona como anti-clímax e desperta críticas sobre o fechamento da narrativa.

Desde o final dos anos 2000, a literatura contemporânea tem revelado o peso das heranças familiares sobre mulheres, tema que respira em Cor de Defunto, romance de estreia de Cami di Malta. A protagonista Lilá narra uma infância marcada pela precariedade, pelo medo do pai e pelo luto pela mãe.

A obra não recorre ao sentimentalismo. A prosa de Malta privilegia contenção, ritmo ágil e humor mórbido, evitando discursos vitimistas. Memórias da infância dialogam com o presente, em que Lilá trabalha em uma agência funerária, vendendo caixões e depois atuando no embalsamamento.

Esse entrelaçamento passado-presente mergulha Lilá em um limbo entre vida e morte. O luto deixa de ser processo doloroso e se torna espaço permanente de distanciamento da mãe, que permanece central na vida da personagem.

A ambiência de medo persiste pelas lembranças do pai, apelidado de Ele, e pela angústia diante do adoecimento da mãe. Tornar-se cuidadora única elucida a dificuldade de romper com uma realidade construída desde a infância.

A escrita elíptica traduz a incompletude da perda e a dificuldade de escapar das memórias constitutivas do sujeito. A família surge como campo de afeto e trauma, moldando a identidade de Lilá.

No desfecho, a obra desperta desconforto ao recorrer a uma cartomante. A cena remete a recursos intertextuais usados por Clarice Lispector, mas o uso interno não evita um anti-clímax que divide a leitura entre interesse e estranhamento.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais