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Said the Dead: vozes perdidas de um asilo irlandês

Vozes de pacientes do asilo irlandês ressurgem pela combinação de pesquisa histórica e imaginação, levantando questões éticas sobre ler vidas invisíveis

The neogothic former asylum in Cork.
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  • O livro Said the Dead, de Doireann Ní Ghríofa, investiga vidas de pacientes de enfermaria psiquiátrica feminina no Cork Mental Hospital, hospitalizado entre o século XIX e início do XX e hoje em parte convertido em apartamentos.
  • A autora utiliza arquivos, especialmente os grandes cadernos verdes do hospital, para reconstruir nomes, histórias e destinos de pacientes cujas vozes quase não aparecem na memória pública.
  • Entre os casos estão Bridget, grávida que foi para a América e retornou; Anna Martha, pintora que chegou a brandir uma arma; Dora, de 16 anos, que desejava morrer; e Muriel, ligada ao político Terence MacSwiney.
  • Os relatos dos médicos da época aparecem no material, registrando temores, delírios e avaliações de inteligência, às vezes com repetição de notas como “sem mudança”.
  • Em 1896 chega Lucia Strangman, a primeira mulher psiquiatra qualificada nas Ilhas Britânicas, figura que serve de espelho para a abordagem terapêutica descrita no livro, marcado pela leitura como forma de justiça às vidas esquecidas.

A resenha de Said the Dead, de Doireann Ní Ghríofa, revela vozes esquecidas de pacientes psiquiátricas em um estudo íntimo e imaginativo. A obra investiga vidas que viveram e, em muitos casos, terminaram no Cork Mental Hospital, hoje parte de um conjunto habitacional.

Ní Ghríofa percorre arquivos do hospital, especialmente grandes cadernos verdes, para reconstruir relatos de mulheres, como Bridget grávida que retorna da América, Anna Martha que empunha uma arma contra magistrados e Dora, de 16 anos que deseja morrer. As histórias brotam com detalhes de nome, aventura e infortúnio.

A pesquisadora apresenta um entrelaçamento entre memória histórica e empatia, mantendo uma distância ética ao tratar nomes. O livro aponta como registros clínicos registravam estados emocionais, delírios e classificações, com termos como intelectual ou intelectual.

A linha narrativa acompanha a chegada de Lucia Strangman em 1896, a primeira mulher psiquiatra qualificada nas Ilhas Britânicas. Ela aparece como figura central no recorte de Ní Ghríofa, representando a face humana da psiquiatria no início do século XX.

O contexto histórico delimita o alcance do estudo: a autora evita leituras recentes para não violar confidencialidade. Assim, vozes vitorianas e edwardianas ganham relevo, ainda que o marcada por limitações oficiais.

Entre o que se lê nas folhas de arquivo e as interpretações da autora, surge um retrato de profissionais que trataram as pacientes, cujos relatos aparecem com frequência nos registros de admissão. A obra equilibra curiosidade, sensibilidade e responsabilidade documental.

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