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Cinemateca Negra reúne mil obras e questiona a história do audiovisual

Cinemateca Negra reúne mil obras de cineastas negros (1949-2022) para redesenhar a memória do cinema brasileiro e influenciar financiamento

A cineasta e articuladora Fernanda Lomba.
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  • Fernanda Lomba lançou o livro Cinemateca Negra, reunindo 1.104 obras de pessoas negras produzidas entre 1949 e 2022, com a proposta de reorganizar a memória do cinema brasileiro.
  • A publicação afirma que a obra muda a forma de pensar o cinema brasileiro, consolidando um acervo antes disperso e invisibilizado.
  • O projeto é articulado pela Nicho 54 e tem parceria simbólica com o Ministério da Cultura, sem caracterizar-se como iniciativa pública.
  • A pesquisadora aponta que os dados do setor, como os da Ancine, mostram concentração de diretores brancos em produções de maior orçamento, destacando a necessidade de evidências para o debate.
  • A Cinemateca Negra também visa orientar políticas de financiamento do cinema e fomentar debates internos, com lançamento internacional em Paris e diálogos com o cinema africano.

A cineasta Fernanda Lomba lançou o livro Cinemateca Negra, que reúne 1.104 filmes criados por pessoas negras entre 1949 e 2022. A publicação propõe reorganizar a memória do cinema brasileiro, consolidando um acervo antes disperso e invisibilizado.

A obra, apresentada pela primeira vez como ferramenta de leitura da história do audiovisual, pretende mudar a forma de pensar o cinema nacional e influenciar debates atuais sobre financiamento, acesso e políticas culturais. O projeto busca funcionar como referência para pesquisadores, gestores e realizadores.

A iniciativa, desenvolvida pela Nicho 54, não é estatal, conforme a autora. Embora haja menção institucional na abertura, o objetivo é manter a independência metodológica e política do trabalho, com o Ministério da Cultura tendo participação simbólica. A parceria não configura uma intervenção pública no projeto.

Ao pensar a memória do cinema, a autora aponta um apagamento histórico persistente e transforma o acervo em resposta às lacunas do campo cultural. A Cinemateca Negra é apresentada como passo para ampliar a compreensão da participação negra nas últimas sete décadas do cinema brasileiro.

A pesquisadora destaca que dados do setor, como os índices da Ancine sobre concentração de diretores brancos em grandes produções, reforçam a necessidade de pesquisas sistemáticas. A ausência de dados dificulta a observação objetiva do cenário e sustenta debates sem base.

Financiamento e políticas

Para Lomba, a equidade no financiamento é parte central da transformação. Redefinir critérios de distribuição de recursos públicos é visto como indispensável para viabilizar novas propostas artísticas no audiovisual brasileiro. O acervo pretende subsidiar decisões institucionais com evidências.

A publicação é bilíngue e organizada em ensaios, infográficos e catálogo de obras, com o objetivo de ampliar a base empírica do debate. A autora ressalta que o projeto pode orientar políticas de acesso e de financiamento no setor.

Desafios ao longo do caminho incluem dificuldades de gestão e resistência interna. Lomba descreve um processo complexo que exigiu ajustes institucionais, mantendo o foco na construção de uma memória mais plural do cinema.

Lançamento internacional e parceiros

Entre as ações internacionais, o lançamento ocorreu em Paris, com participação em eventos ligados ao circuito cinematográfico e diálogo com iniciativas de outros países. A cineasta busca fortalecimentos que reverberem no Brasil, ampliando a circulação de obras e ideias.

Como parte da estratégia global, houve interação com o cinema africano, incluindo o cineasta Abderrahmane Sissako, convidado para participar de ações do Nicho 54 no Brasil. A objetivo é fomentar intercâmbios que alimentem o debate público local.

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