- Em China, filmes independentes precisam do selo Dragon (longbiao) para serem liberados, caso contrário não podem ser exibidos no país.
- O longa Go Fishing, de Nan Xin, foi rejeitado pela China Film Administration por não seguir valores socialistas centrais, impedindo sua estreia doméstica.
- A censura tem se intensificado, com leis de 2016 exigindo o selo para lançamentos internacionais e o enfraquecimento da cena de festivais independentes.
- Mesmo diante das restrições, jovens cineastas continuam a produzir com equipamentos baratos, buscando aprender o ofício sem se deter pelos filtros criativos.
- Iniciativas como os workshops de Nan Xin, em Lingbao (Henan), atraem alunos de todo o país, que, mesmo preocupados com limites, desejam explorar temas pessoais e, às vezes, sociais, como depressão.
Na China, jovens cineastas enfrentam a censura estatal ao buscar espaço para cinema independente. Em Lingbao, cidade de Pequeno porte na província de Henan, um curso de curta duração atraiu dezenas de alunos que trabalham para viabilizar projetos sem o aval oficial.
Durante 10 dias, estudantes trabalham com equipamentos simples, em oficinas de Nan Xin, cineasta autoformado conhecido por obras de orçamento modesto. O objetivo é desenvolver técnica e produção, mesmo diante de restrições que limitam o que pode ser lançado comercialmente no país.
No entanto, a liberação de filmes depende do longbiao, o selo de aprovação da Administração de Cinema da China. Sem esse visto, produções não podem ser exibidas legalmente. O caso mais citado envolve Go Fishing, de Nan, rejeitado por não refletir valores socialistas centrais.
Contexto
A exigência de longo processo de aprovação ganhou rigidez após mudanças legais de 2016 que passaram a reger tanto lançamentos nacionais quanto lançamentos no exterior. A fiscalização se intensificou, reduzindo festivais independentes e restringindo temas críticos à sociedade.
Especialistas afirmam que a censura molda fortemente a produção de filmes. Um diretor independente, que prefere não se identificar, comenta que o critério pode depender de um censor específico, o que aumenta a incerteza sobre o que é permitido.
Apesar disso, a prática de filmar com smartphones e equipamentos acessíveis permanece comum. Nan Xin incentiva os alunos a se concentrar no aperfeiçoamento técnico, não nos entraves da censura, para ampliar o alcance do ofício entre jovens cineastas.
Perspectivas dos alunos
Entre os estudantes, há relatos de foco em temas pessoais, com destaque para relações humanas, menos suscetíveis a censura de temas sociais. Um formando de 24 anos afirma não sentir limitações de liberdade, atribuindo as restrições apenas a aspectos negativos de determinados conteúdos.
Alguns alunos já trabalham com planos de explorar temas como saúde mental, ainda que reconheçam a delicadeza do assunto no contexto chinês. Mesmo diante de pressões, eles relatam inspiração ao conviver com outros criativos e buscar caminhos para expressar ideias.
O debate sobre liberdade criativa permanece aberto entre profissionais da área. Enquanto alguns apontam cortes significativos na cena de cinema independente, outros defendem a importância de manter o foco na formação técnica e na narrativa, independentemente das linhas oficiais.
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