- Três anos após a instauração da ditadura no Brasil, o mural de Claudio Tozzi com Che Guevara foi vandalizado em um salão de arte em Brasília, teve partes perfuradas e foi reconstruído pelo artista.
- Além do Guevara, Tozzi fez outras obras sobre o regime militar, como “Repressão” (1968), e ficou conhecido pela linguagem da arte pop brasileira, associada à Nova Figuração.
- O novo livro “No Limiar da Imagem – da Retícula à Arena Pública”, do Instituto Olga Koss, reúne ensaios de Diego Matos sobre as fases da obra de Tozzi, intercalados com imagens das pinturas e gravuras.
- Tozzi afirma ter usado a pop art para alcançar grande público, mas reconhece que o estilo refletia uma sociedade industrial e não correspondia ao Brasil sob repressão; com o AI-5, passou a aprofundar a pintura.
- Paralelamente à prática artística, Tozzi foi professor na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e realizou grandes pinturas urbanas, incluindo obras no viaduto Tutoia, com uso de recursos cromáticos e formas geométricas.
O artista Claudio Tozzi ganha um livro que revisita a trajetória dele na arte pop brasileira, com foco na relação entre as obras e o contexto político do Brasil sob a ditadura. O volume No Limiar da Imagem – da Retícula à Arena Pública reúne ensaios de Diego Matos, pesquisador e curador, acompanhados de imagens das pinturas, gravuras, serigrafias e objetos do artista.
Em Brasília, três anos após a instauração do regime militar, Tozzi viu um de seus murais danificado por manifestantes num salão de arte. A obra, que retratava Che Guevara entre multidões e crianças, foi parcialmente destruída, com a moldura e parte central da pintura afetadas. O autor relata ter recuperado a peça, reforçando a área perfurada e reconstruindo a moldura.
O trabalho de Tozzi dialoga com acontecimentos globais e locais, destacando a presença de temas como repressão, guerra e tecnologia. Além de o mural de Guevara, ele criou outras peças críticas ao regime, como Repressão (1968), que apresenta silhuetas de soldados. A estética de cores marcantes e formas planas o aproximou da chamada Nova Figuração.
O livro traça ainda a variedade de fases da produção de Tozzi, do uso da linguagem da pop art aos estudos de cor, forma e espaço. O autor enfatiza a passagem de uma fase mais social para uma abordagem de pintura mais concentrada na técnica, refletindo mudanças no cenário artístico brasileiro durante a ditadura.
Tozzi também atuou como professor de comunicação visual na USP, influenciando sua abordagem prática. Obras públicas, como as decorando o viaduto Tutoia, reforçam o vínculo entre a presença da arte na cidade e a compreensão do público. O volume é produzido pelo Instituto Olga Koss e organizado por Diego Matos, apresentando reproduções amplas das obras e contextualização crítica.
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